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PSDB veta espaço dado ao PT em Minas e ameaça deixar aliança

No pacto firmado com o PSB na capital, petistas exigem entrar na coligação proporcional, o que revoltou os tucanos

MARCELO PORTELA , BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2012 | 03h04

A disputa por espaço político em Belo Horizonte (MG) volta a pôr PT e PSDB em pé de guerra na cidade e ameaça dinamitar a aliança formada em torno do prefeito Marcio Lacerda (PSB), candidato à reeleição. O mais recente pavio aceso é a aliança proporcional com os socialistas, exigência dos petistas que já teria recebido sinal positivo do presidente do PSB, Walfrido Mares Guia.

Com receio do crescimento dos petistas, tucanos ameaçam deixar a coligação e líderes do partido já assediam outros candidatos, como o deputado estadual Délio Malheiros (PV). Isso porque, na avaliação dos partidos, o PT, que já indicará o vice de Lacerda, tem chance de aumentar de seis para oito o número de vereadores caso faça a aliança com o PSB, que manteria os atuais três parlamentares.

Na composição atual do Legislativo municipal, 4 dos 41 vereadores são tucanos, inclusive o presidente da Câmara, vereador Léo Burguês, e a legenda pretende pelo menos manter o número.

"Hoje, o PT é oposição ao PSB na Câmara", disse o presidente do diretório municipal do PSDB, deputado estadual João Leite, referindo-se ao grupo ligado ao vice-prefeito Roberto Carvalho (PT), desafeto do prefeito. "O Walfrido tem juízo. Vai crescer a oposição contra ele na Câmara, porque com os votos do PT ele não conta", acrescentou.

O deputado tucano ressaltou que o partido também tem interesse em fazer a coligação proporcional com o PSB, mas afirmou que, "se pudesse dar um conselho ao PSB, diria: não coligue na proporcional com o PT".

Pressão. Menos sutil, o presidente do diretório estadual tucano, deputado federal Marcus Pestana, avalia que a exigência petista foi imposta justamente com o objetivo de implodir a aliança.

"O doutor Rui Falcão, que mal deve entender de política paulista, vem querer ditar regra em Minas Gerais e põe a faca no peito do PSB, com exigências que eles não têm o menor cacife para fazer", disparou, referindo-se ao presidente nacional petista, que apresentou a proposta de coligação proporcional em reunião com Mares Guia na capital. "Não vai fechar (a coligação)", repetiu Pestana oito vezes em uma mesma resposta.

Um dos dirigentes do PT que participam das negociações, porém, rebate as alegações e afirma que é o PSDB quem "já está pondo a faca no peito" dos socialistas, com ameaças de deixar a aliança. "É tudo um jogo político para pressionar o PSB. O PSDB não quer perder espaço", declarou.

O petista diz que as ameaças dos tucanos são um meio de justificar uma possível falta de empenho para promover o crescimento de Lacerda, já que ele é cotado para disputar o governo de Minas em 2014 na cabeça de chapa ou até como vice em eventual candidatura do ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT). "O PSDB pode até deixar a aliança, mas, nesse caso, vai ser por outro motivo", disse.

Em meio ao embate, Marcio Lacerda tenta apaziguar os aliados e afirma que o caso não será solucionado na base da pressão, mas sim de "muita conversa". "O prazo fatal é o dia de registro das chapas."

O socialista descarta crise na aliança e avaliou que, apesar da constante troca de farpas, há "99,9%" de chance de conseguir manter os dois adversários na coligação. O 0,1% restante, diz, fica por conta do "imponderável". "Nunca se tem 100% de certeza de nada. Existe muita especulação e muita plantação. É normal no processo político."

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