PSDB tem a difícil missão de chegar unido às eleições de 2010

Após emplacar seu afilhado político no 2º turno em São Paulo, Serra terá que manter unidade do partido

Elizabeth Lopes e Daniel Galvão, da Agência Estado,

06 de outubro de 2008 | 00h32

Apontado como um dos vencedores deste primeiro turno das eleições municipais em São Paulo, o governador José Serra (PSDB), que conseguiu emplacar o seu afilhado político - o prefeito e candidato à reeleição pelo DEM, Gilberto Kassab, no segundo turno da disputa, - tem um grande desafio para tentar conquistar a presidência da República nas eleições de 2010: manter a unidade de seu partido.  Veja Também: Cobertura completa das eleições 2008 Especial: Perfil dos candidatos Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos TSE registra 168 prisões e casos de 509 irregularidades Imagens da votação pelo Brasil  Completamente rachado e com muitas feridas ainda abertas, por conta da guerra travada pelo tucano Geraldo Alckmin para tentar chegar ao segundo turno na briga pela maior Prefeitura do País, o PSDB sai deste primeiro turno repleto de "tensões latentes", avalia o cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fábio Wanderley Reis. Para o professor da UFMG, a tensão no ninho tucano pode se acirrar ainda mais porque outro líder da legenda, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, também sai desse primeiro turno cacifado, em razão da boa performance do candidato que ele apoiou em Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), da aliança articulada com o PT do presidente Lula. "Os dois estarão montados em suas próprias vitórias e eu não vejo razões para o PSDB se tranqüilizar, as disputas internas continuarão", prevê, destacando que os tucanos deveriam aprender com a experiência das eleições recentes, toda vez que saiu rachado, o partido perdeu nas urnas. Na avaliação do cientista político Roberto Romano, professor titular do Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o futuro do PSDB foi definido no passado, nas eleições presidenciais de 2006, quando Alckmin se impôs como cabeça de chapa da legenda, "passando o trator" em cima de Serra. Segundo ele, a mesma "insistência" de Alckmin o levou a se impor nessas eleições municipais, aumentando o racha interno do partido. De acordo com Romano, a disputa entre os grupos de Alckmin e Serra foi aberta com a morte do governador Mário Covas, em 2001. "Temos um partido que não se ampliou e não vai se ampliar", afirma. "Com essa ruptura que se tornou radical, é muito difícil um pensamento de unidade de eficácia", diz. Assim como Fábio Wanderley, o professor titular do Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp também acredita que os tucanos continuarão convivendo com esse clima de intranqüilidade. Aliado a todos esses fatores, o cientista político diz que o PSDB chegará em 2010 sem contar com muitas prefeituras no País e com o risco de boicote de um grupo que vai se julgar traído pela aliança de Serra com Kassab. Nessa "engenharia política altamente complicada", diz o cientista, será muito complexo o PSDB reunir forças para lançar uma candidatura com densidade mínima.

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