PSDB rebate ideia de Haddad de bilhete único mensal

Integrantes da campanha do tucano consideram ideia um 'retrocesso' por excluir o metrô e a CPTM

Guilherme Waltenberg, de O Estado de S. Paulo

08 de agosto de 2012 | 20h46

Lideranças do PSDB reagiram nesta quarta-feira, 8, à proposta do candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, de criar um bilhete único mensal de R$ 150 para os ônibus municipais. Integrantes da campanha do candidato tucano José Serra foram unânimes em chamar a ideia de "retrocesso" por excluir o metrô e a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

O coordenador de eventos da campanha de José Serra, deputado estadual Orlando Morando, criticou a proposta dizendo que levaria "por água abaixo" os avanços na integração dos diferentes meios de transporte da cidade. "É o maior retrocesso que São Paulo já ouviu falar em matéria de transporte coletivo. O avanço do (governador Geraldo) Alckmin e (do ex-prefeito José) Serra de integrar o metrô e o ônibus iria por água abaixo."

O líder da bancada do PSDB na Câmara Municipal, vereador Floriano Pesaro, declarou ter ficado "estarrecido" ao ouvir a proposta. "Mostra um total desconhecimento do bilhete único. É um retrocesso na proposta (de transporte público). Volta ao tempo da (ex-prefeita) Marta Suplicy, quando não havia integração. Ele só está pensando no subsídio das empresas de ônibus e excluiu a CPTM e o metrô."

Para Pesaro, o transporte público atualmente é pensado de maneira metropolitana e um bilhete único que englobasse apenas os ônibus da capital minaria essa visão. "Ele está pensando somente no município. Depois de Serra e do (prefeito Gilberto) Kassab houve integração na cidade e redondezas", afirmou. "Aumenta o gasto sem necessariamente ampliar o benefício", emendou.

Morando defendeu o sistema que integra ônibus, trens e metrô. Para ele, o uso de metrô aumentou após a adoção do bilhete único intermodal. "A população está usando (a integração). Por isso que vemos uma superlotação das linhas de metrô. Aumentou a demanda."

O deputado federal do PT de São Paulo, Carlos Zarattini, saiu em defesa de Haddad afirmando que "o prefeito só pode gerenciar o sistema de ônibus". "O metrô e trens são responsabilidade do Estado. Estamos vendo novamente que eles (tucanos) querem impedir a população de ter um benefício", acusou. Para Zarattini, com a aceitação popular que o projeto teria, se fosse implantado, o governo estadual iria aderir. "Acredito que o governador do Estado vai acabar aderindo. O povo é a favor", sentenciou.

Pirituba. Floriano Pesaro questionou também a proposta de Haddad de levar uma linha de metrô até Pirituba. O candidato do PT afirmou na quarta-feira, durante caminhada no bairro na zona norte de São Paulo, que, caso fosse eleito prefeito, iria pedir para acelerar a entrega da estação Pirituba da linha 6 do metrô, de acordo com nota emitida por sua assessoria de imprensa. "A estação de metrô de Pirituba vai servir para a candidatura de São Paulo à Expo 2020", disse Haddad.

Pesaro rebateu: "O que ele falou era para pegar os desavisados. Ele desconhece que já tem o trem da CPTM que chega em Pirituba".

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