PSDB quer vitória 'simbólica' com ex-líder da oposição

Pesquisas indicam larga vantagem de Artur Virgílio em relação à candidata do PC do B, no Estado onde Dilma teve 80% dos votos

ALFREDO JUNQUEIRA, ENVIADO ESPECIAL / MANAUS, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2012 | 03h05

Dois anos depois de sofrer uma derrota na tentativa de se reeleger para o Senado, Artur Virgílio (PSDB) deve obter hoje uma vitória com larga vantagem na disputa pela prefeitura de Manaus. As últimas pesquisas indicam que ele deve receber em torno de 68% dos votos válidos. Depois de surpreender Virgílio e superá-lo na corrida ao Senado em 2010, Vanessa Grazziotin (PC do B) pode sair desta eleição com menos da metade da votação de seu adversário.

Mais do que uma conquista pessoal, a eleição do líder da oposição no Congresso durante os oito anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva representará um triunfo importante para o PSDB.

A vitória na capital do Amazonas - principal cidade da Região Norte, sexto maior PIB do País e com cerca de 1,2 milhão de eleitores - é vista pelo partido como a mais "simbólica" este ano.

A nova trincheira da oposição no Norte está sendo obtida no Estado em que a presidente Dilma Rousseff obteve 80,5% dos votos válidos no 2.º turno de 2010. Foi a maior votação proporcional nos Estados da candidatura petista naquele ano.

Na quarta-feira, o senador e possível candidato do PSDB à Presidência da República em 2014, Aécio Neves (MG), foi a Manaus para participar de um comício com Virgílio - mais conhecido na capital como Artur Neto. A visita teve dupla motivação. Além de tornar o presidenciável mais conhecido na cidade, serviu para o partido mostrar que prestigia o ex-senador.

Virgílio considera que foi tratado como candidato de segunda linha em 2010. "Enquanto minha derrota era considerada questão de honra para Lula, o PSDB não se engajou para preservar meu mandato", afirma o tucano, que chegou a flertar com o PSD, mas hoje nega qualquer intenção de mudar de partido.

Depois de ficar conhecido pela agressividade com a qual se opunha ao governo federal, a ponto de dizer em discurso, em 2005, que daria uma surra em Lula depois de suspeitar que sua família estava sob ameaça, Virgílio adotou um tom conciliador. "Acredito naquele velho ditado de criança que o ódio se aproxima mais do amor do que a amizade. Vai ver ele me ama. Até porque já foi meu amigo na época dura do regime autoritário", disse, na última semana.

Apoio. Vanessa Grazziotin não conseguiu fazer sua candidatura decolar nem mesmo com o engajamento de Lula e Dilma em comícios no 1.º e 2.º turnos, respectivamente.

Caso as urnas confirmem o que apontam as sondagens, também sairão derrotados da disputa em Manaus o senador e líder do governo, Eduardo Braga (PMDB-AM), e seu sucessor no governo estadual, Omar Aziz (PSD). A escolha da candidata que representaria o grupo político de ambos na disputa pela capital aprofundou a crise entre eles.

Aziz insistiu na deputada federal Rebeca Garcia (PP), que desistiu de participar na véspera da convenção que oficializaria seu nome. Braga saiu vitorioso ao impor o nome de Vanessa. "Com a candidatura lançada na última hora, levei um mês e meio para conseguir botar a campanha na rua", lamentou Vanessa. "Todos os líderes se engajaram, mas a divisão fez com que muita gente do nosso grupo não participasse da minha campanha."

Ela ainda atribui as dificuldades de sua candidatura ao fato de ter se tornado alvo dos demais candidatos no 1.º turno. Henrique Oliveira (PR), Serafim Corrêa (PSB) e Pauderney Avelino (DEM), que somaram 30,9% dos votos no 1.º turno, aderiram à campanha de Virgílio. Vanessa ficou apenas com o apoio de Sabino Castelo Branco (PTB), que teve 7,3%.

Durante a campanha, Virgílio e Vanessa trocaram acusações sobre quem seria apoiado pelo desgastado prefeito Amazonino Mendes (PDT), quem defenderia com mais afinco a Zona Franca de Manaus e quem foi mais atuante em defesa da capital no Senado.

O futuro prefeito terá uma série de desafios a resolver. A cidade sofre com crônico problema de fornecimento de água. Transporte público precário, desordem urbana e o fato de a prefeitura manter apenas uma creche são outros problemas. E a cidade ainda corre contra o tempo para resolver problemas de infraestrutura para a Copa de 2014.

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