Hugo Harada/Gazeta do Povo
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PSDB lança Richa ao Senado sem definir apoio à governadora aliada

Sigla confirmou candidatura do ex-governador em convenção nesta quarta-feira; Cida Borghetti, que foi vice de Richa, não compareceu ao ato

Katna Baran, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2018 | 22h40

CURITIBA - O PSDB do Paraná confirmou em convenção nesta quarta-feira, 1º, o ex-governador Beto Richa como candidato ao Senado pelo partido nas eleições 2018. A sigla deixou a ata em aberto para definir depois se irá fechar mesmo a coligação com o PP. A governadora e pré-candidata à reeleição Cida Borghetti (PP), não compareceu ao evento.

Nas últimas semanas, declarações do marido da governadora, o deputado federal Ricardo Barros (PP), que também não compareceu no evento, levaram a atritos com Richa, o que pode impedir a aliança. Richa afirmou que Cida - que assumiu o governo em abril, quando o tucano deixou o cargo para concorrer ao Senado - foi convidada para a convenção, mas justificou a ausência por compromissos do PP em Brasília. A assessoria de Cida confirmou a informação.

Ele disse que “o entendimento” ainda é pela composição com a governadora, que foi sua vice. “Ainda ontem tivemos reuniões, em que a maioria dos partidos que estiveram conosco até então querem manter unido esse grupo que venceu as últimas eleições”, declarou, referindo-se a PSB e DEM, que afirmam desembarcar em grupo da chapa de Cida caso o acordo com o PSDB não vingue. O ex-governador ainda minimizou o atrito com Barros, afirmando que o político “está vendo o que é melhor dentro da articulação”.

Barros quase encerrou as negociações com tucanos

A divergência começou na semana passada, quando Barros praticamente encerrou as negociações com os tucanos, dizendo que não havia espaço para a sigla na coligação da esposa. E se intensificiou depois que surgiram boatos de que Richa teria pedido a governadora para não incluir o deputado federal Alex Canziani (PTB) como segundo candidato ao Senado na chapa.

“Minha pré-candidatura é irreversível, não foi uma decisão impensada, ao contrário, refleti muito ao longo desse ano todo. Os partidos aliados continuam firmes a nossa pré-candidatura, e são apoios importantes. Estamos aguardando, em discussão. A nossa vontade já expressa pública é integrar essa coligação de partidos que juntos fomos vitoriosos na última eleição”, declarou Richa mais cedo, na convenção do DEM do Paraná, evento no qual a governadora esteve presente.

Apesar das declarações de Richa, parlamentares do PSDB do Paraná dizem que, hoje, a aliança com o PP é “impraticável”.

DEM deixa em aberto coligação

O DEM também deixou a ata em aberto para decidir depois pela coligação. “Temos que aguardar o fechamento da ata pela definição do PSDB estar junto ou não. Temos defendido desde sempre no grupo político que compõe a candidatura de manter o Beto como candidato ao Senado e a coligação com o PSDB também na proporcional. Mas impasse sempre tem, estamos falando de grupos políticos diversos”, declarou o presidente do DEM estadual, Pedro Lupion, durante a convenção da legenda.

No evento tucano, representantes do DEM voltaram declarar apoio a Beto. “Independentemente de escolhas e acertos, o DEM terá Beto Richa como senador em todas as suas propagandas. Não admito deputado que fez parte da base do governador e hoje não esteja do seu lado, porque é no mínimo ingrato”, disse o deputado estadual Nelson Justus (DEM) em seu discurso.

Apesar de mandar representantes para a convenção do PSDB, o PSB ainda mantém as negociações em aberto e não descarta a possibilidade de apoiar Osmar Dias (PDT) ao governo, formando chapa também na proporcional. Essa janela se abriu depois que Dias dispensou o MDB da sua coligação, por rixas com o senador e pré-candidato à reeleição, Roberto Requião.

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