PSDB e PSD avançam em reduto petista e lançam 300 sindicalistas candidatos

Partidos buscam diálogo com setor que consideram ter sido fundamental para eleições de Lula e Dilma; tucanos organizam 27 núcleos sindicais regionais e sigla de Kassab oferece controle de fundação

Roldão Arruda, de O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2012 | 03h06

O recém-criado PSD e o veterano PSDB estão mobilizando forças para conquistar espaço no mundo sindical, antigo e influente reduto do PT. O primeiro teste desse esforço está marcado para as eleições municipais deste ano. De acordo com o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra, no pleito municipal os tucanos vão lançar, em todo o País, cerca de 200 candidatos originários de sindicatos de trabalhadores. A maior parte deve concorrer a cargos em câmaras municipais, mas o grupo também reunirá pretendentes às cadeiras de prefeito e vice.

Na mesma trilha, o partido presidido pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab já contabiliza quase 90 pré-candidatos sindicalistas. "Mas esse número deve aumentar", anuncia, entusiasmado com a ideia, Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT) - uma das seis centrais legalmente constituídas no País, com cerca de mil sindicatos filiados.

Desde que preencheu a ficha de filiação ao PSD, em setembro, Patah articula a base e as candidaturas sindicalistas do partido. Antes de ser convidado por Kassab, ele foi sondado pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e pelo vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB). Também preocupados em romper o cerco do PT no meio sindical, os dois manifestaram seu desejo de ter a UGT próxima de seus partidos.

Kassab chegou por último, mas com propostas atraentes. Além de garantir aos sindicalistas dois cargos na direção executiva nacional e em cada uma das executivas estaduais, ofereceu a Patah o controle da futura fundação do partido - o que não é pouco. Destinadas teoricamente à formação de quadros políticos, as fundações recebem, por lei, 20% de todos os recursos públicos destinados à legenda. No caso do PSD esse porcentual será maior, segundo promessas feitas ao líder da UGT.

A corrida pelos sindicalistas tem boas razões. Uma delas é o bem cimentado casamento entre o PT e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior e mais influente, com 3.438 entidades filiadas. Mesmo independentes oficialmente, as duas organizações quase sempre funcionam, na bonança e na crise, sincronizadas como se fossem uma só máquina.

Centrais e eleição. O PT também é mais hábil e convincente no diálogo com outras correntes. Na eleição presidencial de 2010, para citar um caso, nenhuma central apoiou o tucano José Serra: as seis ficaram ao lado de Dilma Rousseff.

"Esse apoio foi fundamental para a vitória de Dilma, da mesma maneira que antes havia garantido a vitória de Lula", assegura Antonio de Souza Ramalho, presidente do Sindicato da Construção Civil de São Paulo e vice-presidente da Força Sindical - a segunda maior do País, com 2.675 entidades filiadas.

Antigo militante do PSDB, Ramalho foi convidado no início de 2011 para uma conversa com Alckmin. "Depois de ver o resultado da Dilma, ele me perguntou: o que o partido deve fazer para se aproximar dos sindicatos? Respondi que o último líder tucano que deu atenção ao sindicalismo foi o Mário Covas. Ele ia sempre ao nosso sindicato. Depois que morreu, ninguém mais fez isso."

Ramalho também disse a Alckmin que os tucanos, embora tenham feito muito pelos trabalhadores, não conseguem deixar isso claro. "Não sabem se comunicar com o peão lá da base. Para isso tem que chamar o sindicalista do baixo clero, o sujeito da mão grossa ", afirma.

Núcleo tucano. Depois da conversa com Alckmin, Ramalho foi chamado por Sérgio Guerra, em Brasília. No encontro conseguiu convencê-lo da necessidade de montar um núcleo sindical tucano e, no embalo, ganhou a missão de levar a tarefa adiante.

Até agora já foram montados núcleos regionais em 20 Estados. A meta é chegar aos 27 até março, quando ocorre em Brasília o primeiro congresso sindical do PSDB. "Desde o ano passado, quando decidimos reestruturar o partido, sabíamos que precisávamos recuperar a base sindicalista", conta Guerra. "Mas não tivemos bons resultados, porque quem cuidava do setor era um parlamentar. Agora chamamos um sindicalista."

A meta, diz ele, não é uma central controlada pelo PSDB: "Queremos gente das centrais falando e decidindo. Vamos dar voz a quem não tinha espaço".

No PSD, Patah também enfatiza que a UGT não será instrumentalizada. "O partido e a central podem se alinhar em torno de questões políticas, mas permanecem independentes."

Na avaliação dele, as chances do PSD são melhores nessa área que as dos concorrentes. "Na última vez que PSDB pôs no ar a propaganda no horário gratuito, não se ouviu nenhum líder sindical. Desse jeito, vão continuar sem falar com as classes C e D."

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