PSDB e DEM precisam se unir pensando em 2010, diz FHC

Ex-presidente não admitiu que o PSDB tenha rachado nas eleições para prefeito deste ano em São Paulo

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado

05 de outubro de 2008 | 16h31

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso negou neste domingo, 5, que tenha encontro marcado nos próximos dias com o presidente de honra do DEM, Jorge Bornhausen. Mesmo assim, eles devem começar rapidamente a articulação política entre o prefeito Gilberto Kassab, candidato à reeleição, com o PSDB para apoiar quem vai disputar o segundo turno contra a petista Marta Suplicy. "Bornhausen é um homem sério", afirmou. "Se o PSDB ganhar, vai nos apoiar. E ele sabe que, se o DEM ganhar, receberá o apoio do PSDB. Precisamos ver quem é o melhor candidato pensando na cidade e nos passos futuros do Brasil. Tem o PPS, tem os setores do PMDB com os quais nós temos que nos entender para preparar uma futura candidatura presidencial, e é preciso uma articulação muito forte."     Veja Também: Especial: Perfil dos candidatos  Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos  Ibope: Veja números das últimas pesquisas   Gabeira e Crivella disputam para enfrentar Paes no 2º turno Em Recife, petista João da Costa deve ser eleito no 1º turno Marta e Kassab devem se enfrentar no segundo turno, diz Ibope     FHC não admitiu que o PSDB tenha rachado nas eleições para prefeito deste ano em São Paulo, pois, segundo ele, uma parte do eleitorado tomou uma posição de apoiar o prefeito Gilberto Kassab. Para ele, o partido ficou ao lado de Geraldo Alckmin. "Eu sou partidário, votei no Geraldo e em um candidato a vereador do PSDB. O PSDB deve sair desta eleição razoavelmente bem", afirmou. "O PSDB não pecou. O povo é que escolheu porque o Kassab se apresentou bem. Vamos ver qual vai ser o resultado das urnas. Mas é preciso ter humildade, o candidato se faz.". Perguntado se a máquina administrativa do Estado, dirigida pelo governador José Serra, que apoiou Kassab, interferiu na campanha de Alckmin para prefeito, FHC fez um comentário que causou risos em alguns jornalistas. "Eu estou da longe da máquina."   FHC afirmou que Marta Suplicy perderá as eleições em São Paulo para o candidato que será apoiado pelo PSDB e pelo DEM. Ele frisou que não deve ocorrer transferência de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a candidata do PT, pois isso é um fenômeno que só ocorre em ocasiões extraordinárias. O ex-presidente reconheceu o atual nível de prestígio de Lula junto à população, mas foi irônico ao destacar qual deve ser o desempenho do PT nas maiores capitais do País. "No Rio, São Paulo e Belo Horizonte, o partido que está no governo federal não tem candidato, com exceção de São Paulo, onde acho que vai perder. A transferência de votos é uma ilusão. É muito excepcional. Essa eleição vai mostrar isso de novo", comentou. "O presidente Lula, embora ele tenha pessoalmente prestígio, ele tem biografia. Biografia não se transfere. Eu vejo até que o presidente Lula, com bom juízo, está concentrando seus esforços em São Bernardo. Parece que o PT está voltando a ser forte no ABC, dando espaço para os outros no Brasil. Tomara."   Questionado se o governador José Serra é o nome natural do partido para a sucessão do presidente Lula, FHC preferiu defender a união interna do PSDB. "Natural é o tempo. Às vezes chove, às vezes não. Em política a gente constrói. Ele (Serra) tem boa condição de construir uma candidatura, mas eu não posso deixar de reconhecer que o governador de Minas (Aécio Neves) também tem. Quando terminar essa eleição municipal é que nós vamos nos preparar para isso. Há uma coisa: o PSDB vai ter de estar unido. Essa é a pré-condição para a vitória." Economia - O ex-presidente FHC afirmou que é favorável a um novo acordo de Bretton Woods, no qual deveria ser definida uma nova arquitetura financeira internacional, o que seria fundamental para evitar que crises como a atual ocorram novamente e afetem de forma severa a economia global.     Em artigo publicado hoje no jornal "O Estado de S. Paulo", FHC defendeu essa nova ordem financeira global, na qual os EUA devem continuar a ter um papel importante, mas com menor peso, e na qual aumentaria a participação de outros países, como as nações européias, China, Brasil e Índia. "A situação é de tal gravidade que já é quase uma impossibilidade de articulação global dos mercados. Chegou a hora de um novo Bretton Woods, ou seja, nós precisamos ter regras que deverão ser válidas universalmente e não podem ser importas pelos EUA" comentou. "Evidentemente os EUA tem de ser uma parte importante nessa negociação. É preciso que entre a China, a Europa e países emergentes como Brasil e Índia. É necessária uma reconstrução da arquitetura financeira global."   FHC destacou que instituições multilaterais como o Fundo Monetário Internacional (FMI), que poderiam ter um papel mais importante para combater a crise, não executaram essa tarefa. "O FMI desapareceu nessa crise. É tudo o Tesouro dos EUA. Na Europa são os Tesouros (dos países). Agora o BCE está tentando fazer algo. Ficou bem claro que o mundo (financeiro) funciona sem regra nenhuma. A alavancagem foi geral no sistema financeiro mundial. É preciso uma nova disciplina nisso. Isso não vai ser para amanhã. Mas vamos começar a falar de um novo Bretton Woods no qual não são apenas as potências atuais terão a palavra, mas nós possamos também ter uma palavra forte, junto com outras economias emergentes."

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