PSDB defende Perillo e vê 'ação orquestrada' do PT

Líderes tucanos deram apoio ao governador de GO e afirmaram que Dilma, parte da PF, Lula e Dirceu agem para proteger os réus do mensalão

DÉBORA BERGAMASCO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2012 | 03h09

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) , ganhou ontem o afago público da direção de seu partido, que havia mantido silêncio diante das notícias que apontam para o suposto envolvimento dele com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Os líderes nacionais tucanos se reuniram ontem para dizer que "têm total confiança na conduta de Marconi".

Para justificar as sucessivas denúncias de corrupção e envolvimento do governador com Cachoeira, o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), repetiu, durante o que chamou de "ato de solidariedade", o mantra de "ação orquestrada". Da "ação" fariam parte a presidente Dilma Rousseff, parcela da Polícia Federal - ambos selecionando as informações que chegam à CPI do Cachoeira - e também "a internet", a CUT e a UNE, com a ajuda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-ministro José Dirceu. Unidos, formariam uma cortina de fumaça para proteger os réus do mensalão: "Jogam o holofote sobre Marconi para apagar o resto do Brasil", bradou Guerra.

Defesa. O discurso de defesa foi referendado pelo líder tucano no Senado, Álvaro Dias (PR), que se disse favorável à investigação de Perillo, mas não à reconvocação para a CPI, na qual seriam feitas "repetições desnecessárias".

O líder do partido na Câmara, Bruno Araújo (PE), fez coro e sugeriu que fossem chamados para depor o governador do Rio, Sérgio Cabral; Carlos Cachoeira novamente e o ex-presidente da Valec (estatal de ferrovias) José Francisco das Neves, o Juquinha. Ele sugeriu ainda que fossem ouvidos o ex-presidente da Delta Fernando Cavendish e o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot. Estes dois últimos já foram convocados pela CPI.

A decisão do partido de sair em defesa de Perillo - mesmo dizendo que se tratava de uma "defesa da democracia, e não do governador, que já é grandinho para se defender sozinho" - foi combinada na segunda-feira por telefone. Ontem, Perillo enviou seus representantes de Goiás para Brasília. Na reunião com líderes tucanos, eles apresentaram mais explicações e alinhavaram o discurso-bálsamo que, sobretudo, destacou a "operação de guerra" do PT - deferida pelo fato de os petistas estarem perdendo para a oposição em sete das principais capitais do País, segundo contagem tucana.

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