PSDB decide apoiar Kassab no segundo turno em São Paulo

Anúncio será feito na tarde desta terça-feira; Alckmin não participará da oficialização

Silvia Amorim, Ana Paula Scinocca, Ricardo Brandt,,

06 de outubro de 2008 | 23h01

O PSDB anunciará na tarde desta terça-feira, dia 7, o apoio do partido à candidatura de Gilberto Kassab (DEM) à reeleição, em um encontro capitaneado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo presidente nacional da sigla, senador Sérgio Guerra (PE). A decisão foi aprovada na noite de segunda-feira, sem resistências, pelo Diretório Municipal em São Paulo. Veja Também:Confira o resultado eleitoral nas capitais do País As principais promessas dos candidatos Enquete: O resultado das eleições surpreendeu?   Especial: Perfil dos candidatos em São Paulo Galeria de fotos dos candidatos à Prefeitura   Vereador digital: Depoimentos e perfis de candidatos em São Paulo   Tire suas dúvidas sobre as eleições  O candidato derrotado do PSDB à prefeitura, Geraldo Alckmin, não participará da oficialização do apoio a Kassab e deverá ficar ausente do palanque do DEM. O tucano, entretanto, deu seu aval para o acordo no próprio domingo, após ter a certeza de que não iria para o segundo turno. "Numa conversa muito particular, eu perguntei se ele tinha alguma recomendação de posição e ele disse que entendia perfeitamente que o melhor caminho seria o apoio ao Kassab e ao DEM", disse o presidente do PSDB paulistano, José Henrique Reis Lobo. CAMINHO A poucas horas da oficialização do apoio tucano a Kassab, o DEM deu ontem o primeiro passo para a aliança. A cúpula do partido divulgou nota na qual garante aval, no segundo turno, a todos os candidatos do PSDB nas cidades em que o próprio DEM estiver fora do páreo. "A orientação nacional foi dada para evitar decisões individuais que não fortalecem o partido. O caminho que fortalece o DEM, hoje, é o de alianças preferenciais com candidatos do PSDB e do PPS", disse o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). A candidata do PT, Marta Suplicy, também agiu rápido: logo cedo, telefonou para Alckmin, de olho no apoio dos tucanos furiosos com Kassab. "Eu telefonei para ele e o parabenizei pela elegância, pela ética com que enfrentou a adversidade", afirmou Marta. Mas nem mesmo os elogios da petista e do deputado Carlos Zarattini (PT-SP) - coordenador de sua campanha - à ética dos herdeiros do ex-governador Mario Covas adiantaram. "Antes, o PT mandava bater em Mario Covas nas urnas e nas ruas. Agora quer o nosso apoio?", perguntou o deputado estadual Bruno Covas (PSDB), neto do ex-governador, numa referência à polêmica frase do então presidente do PT, José Dirceu, na campanha eleitoral de 2000. "De qualquer forma, fico feliz em ser lembrado como ético", disse o neto de Covas. Marta e o ex-governador Covas, morto em 2001, trocaram apoios nas campanhas de 1998 e mesmo na de 2000, quando a petista foi eleita, para enfrentar Paulo Maluf. Bruno disse, porém, que dará aval a Kassab, seguindo orientação de seu partido. "Temos parceria com o DEM, e não com o PT. Na Assembléia, o DEM é da base aliada do governo Serra e o PT, da oposição." Sem conseguir fisgar adesões de peso, Marta seguirá isolada para o segundo turno. "Eu tenho a principal aliança do País, que é com o presidente Lula", afirmou a candidata, minimizando a importância das alianças partidárias. "Cúpula de partido não resolve o voto do eleitor", argumentou a petista, que ontem voltou às ruas e pediu votos em Cidade Tiradentes, reduto do PT encravado na zona leste. PARCERIA Os termos da participação tucana na campanha ainda não estão definidos. Alckmistas defenderam na reunião de ontem do PSDB que a parceria com Kassab seja "meramente político-eleitoral" e não administrativa. Quanto às feridas abertas no primeiro turno dentro do próprio partido, Lobo minimizou: "As feridas podem existir, mas acho que o tempo se encarrega de cicatrizá-las". Foi o dirigente quem propôs ao diretório o apoio ao DEM nesta segunda fase da disputa municipal. Essa posição já havia sido exaustivamente costurada durante todo o dia com os aliados de Alckmin. Uma eventual neutralidade do PSDB foi descartada logo de início. Num discurso cheio de elogios a Alckmin - "amigo, companheiro e mentor" -, Lobo apontou "divergências insuperáveis com o PT" como o argumento decisivo para marchar com Kassab. "Ainda que seja por exclusão, o PSDB deveria manifestar claramente seu apoio ao candidato do DEM", defendeu. "O que menos interessa à população e ao Brasil é permitir a vitória do PT na capital." A defesa do apoio a Kassab veio também dos aliados de Alckmin. "Não há como termos uma posição de liberar o voto", afirmou o deputado José Aníbal (SP). O coordenador da campanha alckmista, deputado estadual Edson Aparecido, endossou o discurso, mas ressalvou: "Vamos propor a expulsão de quem foi contra a candidatura (Alckmin), porque eles arranharam a fisionomia do PSDB". PUNIÇÃO A cobrança de punição aos infiéis permeou todo o debate na reunião. Sem citar nomes, presidentes de diretórios regionais do PSDB na cidade acusaram os kassabistas de "ceder a encantos" e de cometer "atos de covardia". Serra não ficou de fora das críticas. Para evitar que a relação entre alckmistas e serristas fique ainda pior, Lobo saiu em defesa do governador. "Serra é um patrimônio deste partido."

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