PSDB dá o troco e indaga ministra sobre desocupação no DF

Ação é uma resposta à nota da Secretaria de Direitos Humanos que criticou invasão do Pinheirinho, em SP

EDUARDO BRESCIANI, ESTADAO.COM.BR / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2012 | 03h06

Em resposta aos ataques feitos pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República à ação do governo de São Paulo e da Prefeitura de São José dos Campos na invasão do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE), questionou ontem a ministra Maria do Rosário, titular da pasta, sobre quais foram as providências tomadas após a desocupação de uma fazenda no Distrito Federal. Enquanto São Paulo é governado pelo tucano Geraldo Alckmin, o DF é administrado pelo petista Agnelo Queiroz.

No processo de reintegração de posse do Pinheirinho, 18 pessoas ficaram feridas e milhares desabrigadas.

O requerimento do tucano faz menção direta à nota pública divulgada anteontem pela equipe de Maria do Rosário em que se afirma a existência de "diversas violações aos direitos humanos" na desocupação do Pinheirinho.

Entre as violações encontradas, descreve a nota da secretaria, estão "ausência de condições de higiene, saúde e alimentação adequada nos abrigos; superlotação nos alojamentos; negligência psicológica, falha na comunicação entre agentes do Poder Executivo local, entre si e com os desabrigados".

A nota, todavia, abrandou o tom das críticas, não citou Alckmin, nem fez referência direta à violência usada pela polícia paulista na operação.

A desocupação sobre a qual Araújo quer informações foi realizada pelo governo do DF no dia 27 de janeiro na Fazenda Sálvia, que fica entre Sobradinho e Paranoá, cidades satélites de Brasília. O deputado reproduz informações da imprensa dando conta de que 29 pessoas foram presas na operação e 450 casas derrubadas.

"Como se percebe, as pessoas do local foram tratadas como criminosos", afirma o tucano. Ele diz ainda haver "indícios claros da prática de violação aos direitos humanos" e negligencia da secretaria em acompanhar o que aconteceu no Distrito Federal.

A movimentação do tucano é um novo capítulo dentro da disputa política que envolve a desocupação do Pinheirinho. Representantes do governo federal criticaram a ação da polícia, enquanto o governo paulista justificou ter cumprido decisão judicial.

Na semana passada, no Fórum Social de Porto Alegre, a presidente Dilma Rousseff já havia se referido à operação no Pinheirinho como "uma barbárie" e o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, acusou o governo tucano de montar no local "uma praça de guerra".

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