PSDB apóia PTB e PPS fica com PT em Santo André

Por "afinidades" de propostas, os diretórios municipais do PSDB e do PPS de Santo André, no Grande ABC paulista, decidiram apoiar, respectivamente, os candidatos a prefeito Aidan Antonio Ravin (PTB) e Vanderlei Siraque (PT), que foram para o segundo turno das eleições. Siraque teve cerca de cem mil votos a mais que o petebista no primeiro turno, mas deve ficar com a adesão só do PPS no segundo turno.Ele é o segundo candidato petista lançado na cidade depois da morte do prefeito Celso Daniel, que foi assassinado em 2002. Antes de Siraque, o atual prefeito João Avamileno (PT), havia sido candidato, vitorioso. Avamileno era vice-prefeito de Daniel, assumiu a prefeitura com a morte dele e depois foi candidato à reeleição.De acordo com o presidente do Diretório Municipal do PSDB, José Luiz Cestari, os tucanos vão elaborar agora um programa de governo unificado e há interesse em participar de um eventual mandato do petebista. "Mas, no momento, estamos discutindo apenas programas. A militância do PSDB também está toda empenhada na campanha do Dr. Aidan", afirmou. No primeiro turno, o partido tinha como candidato o ex-prefeito e médico Nilton da Costa Brandão, que obteve 81,16 mil votos (21,76% dos válidos).Entre os projetos tucanos discutidos com o candidato do PTB a prefeito de Santo André, mais conhecido como Dr. Aidan, estão a construção de dois hospitais e a melhoria no atendimento das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). "Há a possibilidade de se encaixar as propostas no programa dele", afirmou Cestari.SiraqueCom 182,39 mil votos (48,90% dos válidos) - mais do que o dobro conseguido pelo candidato do PTB a prefeito -, o petista Siraque, da coligação "Santo André Ainda Melhor" (PT-PCdoB-PDT-PSL-PMDB-PV-PSB-PHS-PRTB-PRB), chegou ao segundo turno com a adesão (provavelmente a única) do PPS, que, na primeira fase da campanha, compunha uma aliança com o DEM, cujo candidato era o advogado Raimundo Taraskevicius Sales, mais conhecido como Salles, da coligação "Santo André do Bem" (DEM-PTN-PP-PSC-PPS-PRP-PR-PSDC-PMN-PTC-PTdoB)."Muita gente do PPS já queria ter me apoiado no primeiro turno, mas a executiva de Santo André resolveu apoiar o Dr. Salles", disse o candidato do PT a prefeito. Segundo Siraque, o deputado Alex Manente (PPS) fez um "esforço" para que a agremiação aderisse a ele, mas a executiva optou pelo candidato do DEM. "Não tenho nenhum problema em receber apoio do PPS, que era coligado com o DEM. Tem até gente do PSDB me apoiando na cidade", disse ele, que afirmou não haver negociação por cargos numa eventual futura gestão. Siraque disse também não temer uma possível frente antipetista na cidade.O PSOL, que teve como candidato no primeiro turno o professor Ricardo Alvarez, da coligação "Frente de Esquerda em Santo André" (PSOLPSTU), decidiu, por unanimidade, não indicar voto em nenhum dos dois adversários que foram para a segunda fase da disputa. Para Alvarez, não há opção a não ser anular, votar em branco ou se abster. "O PSOL não tem no PT e no PTB partidos que estejam no nosso arco de diálogo. Nós temos uma questão programática, ideológica e partidária, que defende Estado forte, com a presença na gestão pública", disse. Alvarez anunciou ainda que o PSOL adotará um "governo paralelo" na cidade para acompanhar as ações da prefeitura e da Câmara Municipal.AbstençõesSanto André foi o município com o maior número de abstenções e votos em branco e nulos da região. Foram 16,14% abstenções, 7,02% de votos em branco e 9,60% de nulos. É esse eleitorado que o PSDB pretende conquistar agora para Dr. Aidan. "É um eleitorado que tendeu a não apoiar nenhum candidato, por desencanto com a administração atual", acredita Cestari, do PSDB. Mas, para o candidato do PT, a maioria das ausências é de eleitores que não moram na cidade, o que fica "muito difícil" alcançar.

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