PSD quer limitar apoio a SP

Em política não há sentenças definitivas, mas a confirmação da candidatura à Prefeitura, nas circunstâncias atuais, representa para o ex-governador José Serra a abdicação do projeto pessoal de chegar à Presidência da República.

JOÃO BOSCO RABELLO, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2012 | 03h04

A lógica indica ter prevalecido no PSDB a percepção de que a batalha da hora é impedir a conquista da Prefeitura de São Paulo pelo PT, primeiro passo do adversário histórico dentro da estratégia mais ampla de chegar ao Palácio Bandeirantes.

O que, se eventualmente ocorrer, significará o que na linguagem popular do futebol se traduz por fazer "barba, cabelo e bigode", dito aplicado a um time que obtém conquistas simultâneas. O PT, se consumada sua estratégia, teria a prefeitura e o governo do Estado mais importante, além da Presidência da República, na suposição da reeleição de Dilma Rousseff em 2014.

Serra vive seu momento mais difícil e desafiante: a vitória ou a derrota o inviabilizam para 2014. A primeira o devolve ao poder político, mas o faz prisioneiro do mandato; a segunda certamente representará a aposentadoria.

É com esse raciocínio que o PSD respalda a confiança na garantia recebida do prefeito Gilberto Kassab de que o acordo com o PSDB se restringe à eleição municipal. Montado com apoio do PT na maioria dos Estados, nos quais é sublegenda de governadores, o partido não quer abrir mão do apoio à reeleição de Dilma em 2014.

A exceção a esse planejamento seria um desastre na administração Dilma, capaz de inviabilizá-la eleitoralmente, hipótese considerada remotíssima pela maioria dos estrategistas dos partidos políticos, mesmo os da oposição.

Tempo de TV,

moeda decisiva

A pedra no caminho do PSD na tentativa de se tornar parceiro indispensável no apoio à reeleição de Dilma Rousseff, o que disputa com o PMDB, é o tempo de televisão que reivindica junto à Justiça Eleitoral. Ainda mais se o PMDB se fortalecer com o apoio ao PT num segundo turno em São Paulo. Por isso, o partido estranha que o PSDB esteja na oposição à causa, até porque reduz o tempo de propaganda também para José Serra. Porta-vozes do partido cobram reciprocidade.

Sarney fica

menor no Amapá

Cristina Almeida (PSB), que em 2006 ameaçou a reeleição do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) - ficou 4 pontos atrás dele nas pesquisas -, volta à cena na disputa pela Prefeitura de Macapá, apoiada pelo governador Camilo Capiberibe. Ela tem 11% nas sondagens, logo atrás do prefeito Roberto Góes (PDT), que busca a reeleição. A interlocutores, Sarney afirmou que não se envolverá na disputa no Amapá neste ano. Seu espaço ficou menor.

Mandatos eternos

O Supremo Tribunal Federal deve julgar brevemente o caso dos "prefeitos itinerantes" - políticos que driblam o limite constitucional de dois mandatos consecutivos, mudando o domicílio eleitoral e elegendo-se em municípios vizinhos. Há casos como o do prefeito de Paulista (PE), Yves Ribeiro (PSB), há 20 anos no cargo. No STF, por mais incrível, há quem ache normal, como os ministros Marco Aurélio Melo e Cármem Lúcia.

Abrindo o bico

O ex-deputado Hildebrando Pascoal, do "crime da motosserra", driblou a segurança da penitenciária do Acre e enviou cartas ao Judiciário ameaçando contar o que sabe. Treze anos após sua prisão, seu sobrenome pode voltar à Câmara: se o TSE cassar a deputada Antônia Lúcia (PSC-AC), quem assume a vaga é Solange Pascoal (PMN-AC), sua prima.

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