PSD de Kassab tenta vencer no Nordeste com nome aliado ao PT

PSD de Kassab tenta vencer no Nordeste com nome aliado ao PT

Partido colhe frutos com popularização de petista que coordena campanha de Robinson Faria e obtém mais espaço na região

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2014 | 23h17

O PSD de Gilberto Kassab vislumbra na candidatura de Robinson Faria no Rio Grande do Norte sua chance de fincar os pés em um colégio eleitoral de tradição oligárquica no Nordeste. Com a vitória de apenas um governador no 1.º turno – Raimundo Colombo foi reeleito em Santa Catarina – o partido conseguiu desbancar o ex-favorito presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB), e é o mais cotado, segundo pesquisas, a vencer a disputa no Estado.

A campanha do PSD no Rio Grande do Norte teve como principal estratégia popularizar o partido criado pelo ex-prefeito de São Paulo a partir de uma roupagem social dada pelo PT. Nesse sentido, o papel de Fátima Bezerra, sindicalista ligada à educação, foi essencial. 

A petista foi eleita senadora com 808 mil votos, mais que os recebidos pelos dois candidatos a governador – Alves teve 702 mil e Faria, 624 mil –, e seu resultado nas urnas se deveu à associação que fez do seu mandato como deputada federal à ampliação do ensino profissionalizante no Estado, com a construção de 21 unidades de escolas técnicas – até 2005, só existiam duas no Rio Grande do Norte. 

Lula. Fátima assumiu a coordenação da campanha de Faria no 2.º turno e teve papel fundamental para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravasse um vídeo de apoio ao candidato do PSD. A participação de Lula como principal cabo eleitoral de Faria irritou o presidente da Câmara e a cúpula do PMDB. 

Fátima ainda aparece todos os dias nos programas afirmando que seus eleitores têm a “missão” de multiplicar os votos de Faria. “Conseguimos associar à campanha o sentimento popular que clama por renovação”, disse Fátima. O candidato do PSD fala em “política nova” contra “política velha”, embora tenha cumprido seis mandatos como deputado estadual e seja atualmente vice-governador. Antes do PSD, ele passou pelo PFL, PMDB e PMN.

“Fátima foi responsável por levar Robinson, até então um político sem tradição política em eleições majoritárias, ao 2.º turno”, diz o cientista político da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) José Antonio Spinelli. Para ele, a “aliança estratégica” de Henrique Alves, com 17 partidos, falhou ao deixar de lado o PT no nível estadual. 

O deputado reeleito Fábio Faria (PSD), filho do candidato ao governo do Estado, diz que a presença de Fátima foi “fundamental” para que o pai chegasse ao 2.º turno. “Com ela na chapa, conseguimos adesão das pessoas que são contrárias ao continuísmo que Henrique representa”, disse. “Não basta ser presidente da Câmara e fazer acordos com os líderes políticos para ter sucesso nas urnas.”

Resultados. Na sua primeira eleição geral, o PSD, com apenas três anos, elegeu 37 deputados federais em 17 Estados, consolidando-se como a quarta maior legenda. Amazonas foi onde a sigla teve o melhor desempenho em relação às demais legendas – elegeu dois representantes para a Câmara, além do ex-governador Omar Aziz para o Senado. O segundo melhor desempenho foi em Santa Catarina, onde Colombo foi reeleito e três deputados vão estar no Congresso. Na Bahia, contará com quatro deputados, além do senador eleito Otto Alencar. 

No 2.º turno, além do Rio Grande do Norte, o partido está em duas candidaturas favoritas: no Distrito Federal e no Rio Grande do Sul, com os candidatos a vice-governador Renato Santana, da chapa de Rodrigo Rollemberg (PSB), e José Paulo Cairolli, de José Ivo Sartori (PMDB).

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