Hélvio Romero/Estadão 25.11.2011
Hélvio Romero/Estadão 25.11.2011

'PSD de Kassab foi importante em 2012 e será em 2014'

Presidente estadual do PT defende aliança com sigla de Kassab para disputar governo paulista, reeleger Dilma e apoiar Haddad

Entrevista com

Fernando Gallo - O Estado de S.Paulo,

02 de novembro de 2012 | 02h07

O presidente do diretório paulista do PT, deputado estadual Edinho Silva, projeta o PSD do prefeito Gilberto Kassab como parceiro fundamental para a disputa de 2014. "O PSD foi um aliado importante em 2012 e será importantíssimo em 2014, tanto para a reeleição da (presidente) Dilma (Rousseff) quanto para a construção de um projeto alternativo para o Estado de São Paulo."

Nessa entrevista ao Estado, Edinho defende que o candidato do PT ao governo estadual em 2014 esteja definido até o fim do primeiro semestre de 2013. "Só assim poderemos fazer frente à máquina do governo."

Que balanço o sr. faz da eleição no Estado de São Paulo?

Muito positivo. Um partido que disputou as eleições estando na mídia todos os dias negativamente por causa do julgamento (do mensalão), quando muitos avaliavam que o PT sairia enfraquecido e alguns diziam que o partido ia se tornar inviável. Ao contrário. No Estado, que sempre foi tido como trincheira do PSDB, o PT foi o partido mais votado nas eleições proporcionais. Elegemos 675 vereadores, o maior crescimento partidário, 68 prefeituras, 55 vices. Passamos a governar a maior parte da população, mais de 18 milhões de pessoas.

O PT venceu em São Paulo e Santo André, mas perdeu em locais estratégicos como Campinas e Diadema.

Campinas, um quadro muito difícil, por todas as denúncias que o Dr. Hélio (ex-prefeito, cassado pela Câmara) sofreu, e o PT era vice. Quando lançamos a candidatura do Márcio Pochmann, pactuamos que era uma candidatura de reconstrução do PT na cidade. O Márcio vai pro 2.º turno e tem 40% dos votos. É uma imensa vitória política. Em Taubaté, a mesma coisa. Diadema perdemos por uma questão de conjuntura política. É uma derrota importante e emblemática. É a primeira prefeitura do PT no Brasil. Mas não tenho dúvida de que vai ser que nem Santo André, que reconquistamos.

Como o sr. avalia a aproximação do PT com o prefeito Gilberto Kassab?

Em 12 cidades vitoriosas o PT está coligado com o PSD. O PSD foi um aliado importante em 2012 e vai ser importantíssimo em 2014 para construir esse campo político alternativo no Estado.

A derrota de José Serra marca a separação de Kassab dos tucanos?

Kassab não tinha aliança com os tucanos; tinha aliança pontual com o Serra. O Kassab sinaliza para o PT desde a fundação do PSD. Para mim ficou clara uma afinidade grande do Kassab com os governos Lula e Dilma.

Ele já sinalizou ao PT onde estará em 2014 aqui no Estado?

Temos conversado sobre a construção de um campo político, que no meu entender passa por todos os partidos aliados. Passa pelo PSD, e pelo PMDB, nosso principal aliado no Estado. Temos que dialogar com PC do B, PSB, PDT, os partidos da base.

O sr. disse que Kassab sinaliza afinidade com os governos Lula e Dilma. Ele é oriundo do DEM. Quem mudou: o PT ou Kassab?

Quando Kassab rompe com o DEM, sinaliza mudança. Aliança não significa identidade de projeto. É entre diferentes. Se fosse igual, estava no mesmo partido.

Haddad se elegeu sob o lema da mudança, mas precisa de Kassab para ter maioria na Câmara. Não é contraditório se aliar ao prefeito que o PT combateu?

O Kassab já tinha mostrado simpatia pela candidatura Haddad no início do ano. Nós nunca escondemos as críticas ao governo Kassab. Não deu certo estarmos juntos. O nível de antagonismo era grande naquele momento. A candidatura do Serra foi um divisor de águas. No fim da campanha, Kassab se mostra aberto à transição e que iria colocar o PSD à disposição do Haddad.

Mas não é difícil explicar que o prefeito que o PT atacou tanto...

O Haddad não vai conseguir governar sem uma coalizão. Ele precisa de pelo menos 40 vereadores para governar com tranquilidade. O balanço do governo não vai ser se ele tinha o PSD na execução ou não, mas se ele vai executar o que ele prometeu.

Como fica a relação com o PSB? Em Campinas, o candidato vitorioso é do PSB, com amplo apoio de Alckmin e Aécio.

Sou a favor de trabalharmos uma aliança com o PSB, que sempre foi um aliado histórico.

Não é delicado cacifar um aliado que pode deixar do bloco?

Se algum partido se descolar... que tenhamos maturidade para entender. Mas o PT não pode acelerar o processo, e sim deve retardá-lo ao máximo.

Depois da eleição da Dilma e do Haddad, o sr. vê alguma possibilidade de que não seja um nome novo o candidato em 2014?

Defendo que aprovemos um calendário para 2013 e possamos estipular prazos para inscrição e definição de pré-candidatura. Que o partido inicie o segundo semestre de 2013 já com o pré-candidato definido. Vamos enfrentar a máquina do governo. Nossa maior arma vai ser a organização. Nosso pré-candidato tem que ter no segundo semestre uma agenda de viagens e seminários regionais, para que possa entender o problema de cada região, para que a gente possa começar a formular propostas e programa de governo.

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