'PSB tem fuso horário próprio', diz Campos

Governador afirma que não se sente obrigado a definir já candidatura à Presidência; ele critica Lula por lançar Dilma

ANGELA LACERDA / RECIFE , O Estado de S.Paulo

02 de março de 2013 | 02h02

O governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, afirmou ontem no Recife que não se sente pressionado a definir uma eventual candidatura à Presidência agora. "O relógio do PSB trabalha no fuso horário do PSB", disse. "Não vamos trabalhar com o relógio dos outros, com o tempo dos outros e nem fazer o jogo dos outros. Vamos fazer o jogo do Brasil e o jogo do PSB. Não vamos atropelar ninguém, mas também jamais seremos atropelados."

Alas petistas dizem nos bastidores que, se o aliado quer mesmo disputar o Planalto com a presidente Dilma Rousseff em 2014, tem de entregar já os cargos no governo, entre eles dois ministérios: Integração Nacional, com Fernando Bezerra Coelho, e dos Portos, com Leônidas Cristino.

Colega de partido do governador pernambucano, o ex-ministro Ciro Gomes verbalizou a demanda petista nesta semana.

"Este assunto não está em debate, nem em conversa com a presidente e nem internamente, no partido", disse o governador ontem. "Nosso jogo é muito claro. Quem imaginar que o PSB vai renunciar ao projeto de ser um grande partido está redondamente enganado", completou Campos.

O deputado Beto Albuquerque (RS), líder do PSB na Câmara, reforçou o discurso do governador. "A participação do PSB no governo não é um favor", disse. "O PSB ajuda a construir a vitória da presidente Dilma e ajuda a construir o governo, portanto, não tem por que entregar os ministérios", completou o deputado.

Viagens e campanha. Em seu projeto de tentar se fortalecer para a disputa eleitoral do ano que vem, Campos vai viajar pelo País em seminários do PSB a fim de "pensar o futuro e ajudar o Brasil a debater exatamente aquilo que interessa à vida brasileira."

Indagado sobre o fato de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter lançado a candidatura de Dilma à reeleição, disse "respeitar quem pensa diferente". "Nunca vi quem está no governo, sobretudo quem está no governo com situação de dificuldade, antecipar o calendário eleitoral", afirmou. "Nunca vi isto dar certo."

Críticas ao governo. Para ele, o debate tem de ser feito só no ano que vem. "Entendemos e isso falei para a presidente Dilma, já neste ano, em duas oportunidades, com total transparência, clareza, sem nenhum tipo de subterfúgio: este momento carece de todas as forças responsáveis do País, um olhar responsável para ganharmos 2013, uma atitude de buscar convergência no Brasil e vamos deixar para 2014 um debate que o País vai fazer de forma natural", afirmou Campos, que aproveitou para criticar a situação do País. "Tivemos, repito, um 2011 pior que 2010, um 2012 pior que 2011 e ainda não terminamos o ano de 2012 porque não votamos o Orçamento", disse o governador

Campos participou ontem na capital pernambucana de reunião de balanço com seu secretariado e outros auxiliares da administração. O nome do encontro: "Juntos vamos ganhar 2013".

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