PSB rompe com administração petista no DF

Partido de Eduardo Campos se distancia do PT para tentar tornar a sigla mais competitiva nas eleições de 2014

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2012 | 02h02

Em mais um ato em que se distancia do PT aos poucos, o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, decidiu ontem se afastar do governo do Distrito Federal. O partido devolveu ao governador petista Agnelo Queiroz as secretarias da Agricultura e Turismo e a administração do Lago Norte.

"O governador (Agnelo Queiroz) se distanciou de seus compromissos políticos e administrativos, mostrou-se ineficiente e transformou a saúde e a segurança num caos", afirmou o senador Rodrigo Rollemberg, secretário-geral do PSB de Brasília.

Rollemberg disse que conversou com Eduardo Campos sobre a decisão tomada em Brasília. "Nunca deixo de conversar com ele sobre o que acontece em Brasília. Informei que era uma questão muito localizada", afirmou.

Segundo o senador do PSB, a decisão de abandonar a aliança com o governo Agnelo Queiroz foi tomada logo depois da eleição municipal de outubro. Mas, para evitar especulações, visto que PT e PSB tinham rompido coligações em cidades importantes, como Recife e Fortaleza, a saída do partido do governo do Distrito Federal foi adiada.

Nos bastidores, porém, o que se sabe é que Rollemberg e Eduardo Campos concluíram que o PSB ficaria inviabilizado eleitoralmente em 2014 no Distrito Federal caso mantivesse a aliança com o PT. Uma forma de tornar o partido competitivo para disputar o governo em 2014, mesmo que contra o PT, seria romper a aliança. A desaprovação ao governo de Agnelo Queiroz tem sido muito grande entre a população.

Constrangimentos. Ao anunciar que o PSB estava saindo do governo, Rollemberg disse que o partido passou por vários constrangimentos ao longo da administração de Agnelo, que acabou por ser envolvido nas denúncias contra o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás.

"Entendemos que poderíamos construir uma mudança nos rumos do governo, fazendo-o voltar a se comprometer com os compromissos de campanha. Mas isso não ocorreu", disse Rollemberg.

"Os problemas de saúde e de segurança se agravaram enormemente nos últimos dois anos, gerando uma insatisfação enorme no conjunto da população e uma insatisfação em todos os partidos políticos que se comprometeram com essa eleição (de Agnelo)", continuou o senador.

O senador afirmou ainda que a insatisfação com o governador hoje é registrada no PDT - o que foi confirmado pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF) - e até no PT.

Rollemberg disse ainda que o PSB viu seus quadros serem marginalizados no governo de Brasília. "O que se percebe no governo é a concentração do poder nas mãos de poucas pessoas, a falta de diálogo com os movimentos sociais e com a sociedade civil, a ausência de transparência e a incapacidade administrativa para solucionar problemas graves."

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