PSB rejeita atuar em parceria com tucanos na Câmara

PSDB propôs dividir a liderança da minoria na Casa, mas legenda de Campos preferiu manter atuação 'independente'

ERICH DECAT / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2014 | 02h07

A aliança informal que os prováveis candidatos à Presidência Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) efetivam nesta fase da pré-campanha presidencial, tanto no discurso focado nas críticas ao governo petista quanto na elaboração de apoios recíprocos nos Estados, não será reproduzida no Congresso por uma decisão do PSB.

Em uma tentativa de alinhamento, deputados tucanos propuseram na primeira semana do ano legislativo a divisão de poder da liderança da minoria, estrutura partidária cedida ao maior partido ou bloco parlamentar da oposição. Essa divisão seria feita em vice-lideranças, abrindo uma vaga para um nome do PSB. A ideia seria o grupo se alternar na tribuna do plenário utilizando o tempo destinado à minoria para fazer o confronto com o Planalto.

"Estão sendo feitos os primeiros contatos com o PSB para ver essa forma de cooperação e parceria dentro do Congresso Nacional", disse o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), que faz parte do grupo mais próximo do senador Aécio Neves.

"A liderança da minoria representa toda a oposição e não pode se vincular a apenas um partido, por isso fiz esse convite, para que estejamos juntos questionando e denunciando todos os abusos e erros do governo", afirmou o líder da minoria, deputado Domingos Sávio (PSDB-MG).

Mas, apesar da iniciativa dos tucanos, o PSB diz que ainda pretende seguir uma "oposição independente" e "autônoma".

Controle. "Foi um gesto generoso, mas o partido vai continuar a atuar de forma independente. Somos diferentes e não tem porque estarmos alinhados. Precisamos ter um controle interno do nosso discurso e não podemos ficar atrelados como se fôssemos a mesma coisa que os outros partidos de oposição", disse o líder do PSB na Casa, Beto Albuquerque (RS).

Segundo ele, nada impedirá que os dois partidos estejam juntos em votações de propostas de interesse comum.

Segundo o Estado apurou, esse não foi o primeiro gesto nos bastidores do Congresso feito pelo PSB para se descolar do PSDB. Na disputa pela liderança do PSB deste ano o nome do deputado Júlio Delgado chegou a ser colocado para suceder a Beto Albuquerque.

Nas contas de alguns deputados do partido, o mineiro detinha maioria dos votos da bancada, mas pesou contra ele o fato de ser muito próximo a Aécio. O fato de ter um líder de bancada na Câmara que integrasse a chapa tucana em reduto de Aécio Neves foi vetado pelo próprio Eduardo Campos. / EDUARDO BRESCIANI

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