PSB prioriza projeto nacional no acordo em SP

Cúpula abre mão da vice na chapa de Haddad por aliança com PT na capital, considerada estratégica para as pretensões de Eduardo Campos em 2014

CHRISTIANE SAMARCO, BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

25 Junho 2012 | 03h05

A cúpula do PSB isolou a deputada Luiza Erundina (PSB-SP), abriu mão de indicar o vice na chapa de Fernando Haddad e aceitou pagar o preço do desgaste do "vale tudo" na aliança com o PP do deputado Paulo Maluf (SP) em nome do projeto de poder do partido na sucessão presidencial. "A aliança está valendo porque a prévia de 2014 é agora e São Paulo é uma questão nacional, que não tem preço", diz o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, empenhado em derrotar José Serra (PSDB) na briga pela prefeitura.

Mais do que o pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que pesou na intervenção da direção do PSB para manter a parceria com Haddad foi a avaliação de que o enfraquecimento do PSDB em São Paulo, onde os tucanos são mais fortes, será útil em qualquer cenário. Serve ao plano A, de tomar do PMDB o posto de vice na chapa da reeleição da presidente Dilma Rousseff, e também ao plano B, de lançar o presidente do partido e governador Eduardo Campos (PE) candidato ao Palácio do Planalto.

Neste contexto, a aparente divergência de movimentos dos socialistas em São Paulo e no Recife, onde o PSB se distancia do PT para lançar candidato próprio na disputa municipal, retrata na verdade o projeto duplo de poder do partido. O próprio Roberto Amaral admite que a parceria com o PT paulistano é estratégica, mas não implica submissão antecipada ao projeto de reeleição da presidente Dilma.

"O que está decidido é que teremos eleições presidenciais daqui a dois anos e, seja qual for nosso comportamento lá na frente - em aliança com o PT ou com projeto próprio para presidente -, queremos evitar o retorno do neoliberalismo", afirma o vice-presidente nacional do PSB.

Aceno. Setores expressivos do partido defendem a tese de que, com Dilma forte para disputar o segundo mandato, o melhor caminho é manter a aliança com o PT, sobretudo diante da oferta já posta à mesa por Lula: a vaga de vice na reeleição. Um dirigente da legenda revela que Lula já teria avançado nas conversas com Eduardo Campos, acenando não só com a vice em 2014, mas também com o apoio à candidatura presidencial dele em 2018.

Mas outras lideranças do partido entendem que o melhor seria apressar uma candidatura presidencial mesmo com chances reduzidas de sucesso, para que Campos possa se reapresentar com mais chances em 2018.

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