PSB em alta põe Lula à prova no Recife

Presença de ex-presidente é aguardada em Pernambuco, mas data não está definida; candidato do governador e aliado nacional lidera

LUCIANA NUNES LEAL , ENVIADA ESPECIAL / RECIFE, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2012 | 03h05

Um estreante em eleições que dispara nas pesquisas de intenção de voto e um veterano que se equilibra entre a perda de eleitores e o partido em pé de guerra são os principais candidatos à prefeitura da capital pernambucana. A real disputa de forças, porém, acontece entre o governador Eduardo Campos (PSB), que dá mais um passo nos planos de se consolidar como liderança nacional, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preocupado com o desgaste do PT em seu Estado natal, com o mau desempenho do partido em capitais do Nordeste e o possível reflexo na sucessão presidencial em 2014.

Responsável pela candidatura e mentor da campanha do ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Geraldo Julio, Eduardo Campos é a estrela do horário eleitoral gratuito e iniciou na semana passada as atividades na rua ao lado do afilhado. Lula se destaca na propaganda de seu ex-ministro da Saúde e hoje senador Humberto Costa e é esperado no Recife, mas não acertou a data. A visita do ex-presidente é um dos vários pontos de conflito entre os petistas.

Escolhido depois de longo embate entre o PT municipal e a direção nacional, Costa é companheiro de partido do atual prefeito, João da Costa, que, impedido de disputar a própria reeleição, afastou-se da campanha. Para o candidato petista não chega a ser um prejuízo, já que o prefeito é mal avaliado, considerado ruim ou péssimo por 36% dos recifenses, segundo o Datafolha.

Em seu discurso, o candidato do PT exalta as qualidades da administração do também petista João Paulo Lima e Silva (2001-2008), agora candidato a vice-prefeito, e tenta "apagar" os últimos três anos e oito meses da gestão João da Costa. Na quinta- feira, em caminhada por Vila Tamandaré, na periferia da capital, um morador reclamou do lixo nas ruas. "É um absurdo", respondeu o candidato. Um assessor do petista chegou a dizer que o descaso parecia feito "de propósito" pela prefeitura.

Virada. Na campanha do PSB, o momento é de euforia com a disparada do candidato escolhido pelo governador para enfrentar o PT. O último Ibope mostra que Geraldo Julio cresceu de 16% para 33% em 18 dias, mesmo período em que Humberto caiu de 32% para 25%. Em julho, Geraldo entrou na campanha com 5%, e Humberto tinha 40%.

No fim da tarde de quarta-feira, o ex-secretário fez uma caminhada no centro do Recife com o padrinho político. Entre os cabos eleitorais estava o dramaturgo Ariano Suassuna, de 85 anos, secretário estadual de Assessoria ao Governador. "Eu não esperava que Geraldo subisse tão rápido, mas Recife é uma cidade muito politizada", diz Suassuna. Campos, com planos de disputar a Presidência, dominou a caminhada. Cercado por eleitores, apresentou Geraldo Julio. Na van, o governador comemorou: "Viu que maravilha?".

O ponto central da campanha de Geraldo Julio é uma exaltação ao governo do Estado: levar à capital os avanços de Pernambuco. O mote que diz que o ex-secretário fez todos os programas bem sucedidos do governo estadual virou piada nas redes sociais. "Foi Geraldo que me fez?", pergunta uma criança à mãe, em uma das ironias. Já Daniel Coelho (PSDB) e Mendonça Filho (DEM) insistem que os concorrentes do PT e do PSB são iguais. "O remédio original é Humberto Costa, o genérico é Geraldo Julio, mas nenhum dos dois serve", disse Mendonça, criticando em debate a "gestão petista-socialista".

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