PSB e Força atacam operação em Suape

Senador chama monitoramento de sindicalistas de 'atentado à democracia'; chamado ao Alvorada, ministro agora nega ação em Pernambuco

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 Abril 2013 | 02h09

Destacado pelo PSB como porta-voz do governador Eduardo Campos, o senador Rodrigo Rollemberg (DF) chamou de "atentado à democracia" o monitoramento de sindicalistas no Porto de Suape, em Pernambuco, feito pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A Força Sindical, central à qual os estivadores são ligados, condenou o que classificou de "nefasta tentativa de utilizar órgãos de espionagem para controlar os movimentos sociais".

Conforme revelou ontem o Estado, o governo montou uma operação para tentar prever uma possível greve geral em protesto à medida provisória dos Portos cujo epicentro poderia ser Suape. A vigilância começou ao mesmo tempo em que Campos, possível candidato à Presidência em 2014, passou a liderar a oposição política à MP do governo, que, entre outras mudanças, retira dos Estados a autonomia de realizar licitações de novos terminais de carga.

Rollemberg disse ter telefonado para o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general José Elito Carvalho Siqueira, antes do pronunciamento. Segundo ele, o ministro negou "veementemente" qualquer tipo de monitoramento. "Oxalá esse general esteja falando a verdade, porque, do contrário, estaremos em um estado policial, reacionário", disse o senador Pedro Taques (PDT-MT) em aparte.

Para o senador, a campanha eleitoral de 2014 foi antecipada. "Já começam a se formar dossiês; nas redes sociais, se você fala contra ou a favor, já existe toda uma patrulha em cima disso. Eu quero crer que, no momento em que o governador Eduardo Campos atravessar o Rubicão, ou, como se diz em Mato Grosso, 'pular o corguinho', a partir desse momento, o céu poderá ficar mais escuro."

O líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), protocolou na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional requerimento pedindo a convocação da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, do ministro do GSI e do diretor-geral da Abin, Wilson Roberto Trezza, para que expliquem a ação em Suape.

Em nota, a Força afirma que o governo criou um "Big Brother" em Suape. "É inadmissível que um governo oriundo de um partido que tem como berço o movimento sindical faça uso de práticas conhecidas e utilizadas por órgãos de repressão, fruto de governos que perseguem e não aceitam que um dos pilares da democracia é o debate de ideais e o reconhecimento do contraditório."

Além da negativa do ministro feita ao senador do PSB, o GSI divulgou nota na qual afirmou ser "mentirosa a afirmação de que o GSI/Abin tenha montado qualquer operação para monitorar o movimento sindical no Porto de Suape ou em qualquer outra instituição do País". A versão foi divulgada após José Elito ser chamado pela manhã para uma reunião com a presidente Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada. Anteontem, ao ser procurado pelo Estado, o GSI não quis comentar especificamente a operação.

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