PSB ainda mantém cargos estratégicos no governo federal

Apesar da saída de ministros, integrantes do partido de Eduardo Campos que ocupam segundo escalão permanecem na máquina

João Domingos e Fábio Fabrini / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2013 | 02h18

Quase um mês depois de romper com o governo Dilma Rousseff e anunciar a devolução dos cargos de confiança, o PSB ainda mantém postos estratégicos na administração federal, com alto potencial eleitoral e reponsáveis pela gestão de milhões de reais.

Entre eles está o presidente da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), João Bosco de Almeida, indicado para o posto pelo presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

A Chesf tem R$ 4 bilhões em obras contratadas e é um dos objetos de desejo dos partidos que se mantiveram fieis à presidente. Nos últimos sete dias ele fez duas viagens a Brasília para participar de cerimônias envolvendo a Chesf, uma delas sobre os 65 anos de criação da estatal. A assessoria dele informou que nenhuma carta de demissão foi entregue ao governo. Sua intenção é ficar à frente da estatal até ser notificado de que deve sair.

Ocupante de cargos nos conselhos de administração do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Roberto Amaral informou que já pediu para sair dos dois postos. Aguarda a definição do governo, que deverá ser publicada no Diário Oficial. Marcelo Dourado, presidente da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), mostrou ao Estado carta do dia 1º, na qual ele pede demissão.Ele foi indicado para o cargo pelo senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), um dos principais articuladores políticos de Campos. "Tenho minhas convicções partidárias. Estou fora. Mas não posso simplesmente trancar a porta, pois não tenho para quem entregar as chaves." A superintendência é responsável por ações de desenvolvimento e erradicação da miséria no Centro-Oeste. Em 2013, o orçamento autorizado é de R$ 230,7 milhões.

Indicado por Campos, o coronel Humberto Vianna, secretário Nacional de Defesa Civil, disse que já pediu demissão. Ele manifestou esperança de que o Diário Oficial de hoje traga sua exoneração. A secretaria é responsável pelos programas de prevenção e socorro de vítimas de enchentes. Só pelo Programa de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres, o órgão pagou R$ 942 milhões este ano.

Jenner Guimarães do Rego, secretário de Fundos Regionais e Incentivos Fiscais do Ministério da Integração, afirmou por intermédio de sua assessoria que é funcionário de carreira do Banco do Nordeste e que não é filiado a nenhum partido. Portanto, vai ficar no governo. Ele foi indicado por Campos.

Comanda a área responsável pelos fundos de desenvolvimento das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que têm R$ 85 bilhões de saldo aplicado em carteira O diretor de Bacias Hidrográficas da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), José Augusto Nunes, chegou ao governo pelas mãos do governador do Piauí, Wilson Martins, que é do PSB. Sua assessoria informou que ele não entregou nenhuma carta de demissão e que está viajando a trabalho. Emanuel Lima, superintendente da Codevasf em Juazeiro (BA), indicado pela senadora Lídice da Mata (PSB-BA), não foi encontrado. A superintendência é responsável por uma área com 27 municípios e mais de 1 milhão de habitantes. A cargo dela, está o terceiro maior projeto de irrigação em fase de implantação no País Só deixaram mesmo de fato suas funções os ex-ministros Fernando Bezerra Coelho (Integração) e Leonidas Cristino (Portos), e seus secretários executivos.

A Secretaria de Imprensa do Palácio do Planalto informou que não há previsão para a saída de nenhum dos ex-aliados.

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