PSB admite que embate será com Aécio

Correligionários de Campos dizem abertamente que briga por vaga num 2º turno é com tucano; 'É ele que eu preciso afastar', diz Amaral

Eduardo Bresciani, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2013 | 02h01

BRASÍLIA - Articuladores políticos do governador de Pernambuco e provável candidato a presidente da República, Eduardo Campos (PSB), disseram nessa quinta-feira , 17, que deve crescer o embate do pernambucano contra o senador Aécio Neves (PSDB) por uma vaga no segundo turno nas eleições de 2014.

"Trabalhamos com os dados de hoje e os dados de hoje indicam que a presidente está no segundo turno. Se ela está no segundo turno, quem é o nosso adversário? Contra quem eu preciso disputar? Contra o Aécio. É ele que eu preciso afastar e impedir o crescimento. Então, é ele que se torna o meu principal adversário e tem todas as consequências possíveis em uma campanha", disse o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral. Segundo ele, o cenário anterior previa outra eleição polarizada entre PT e PSDB. Mas isso foi rompido com a aliança entre Campos e a ex-ministra Marina Silva. "Antes estava mantida a polarização entre PT e oposição. Estavam os dois felicíssimos. A aliança que fizemos quebrou esse eixo."

Para Amaral, Campos leva vantagem neste embate porque, segundo ele, participou dos avanços do País nas eras Lula e Dilma. "Aécio não tem história para assegurar esses avanços. Nós somos a manutenção e o aprofundamento disso porque ajudamos a construir."

Outros aliados de Campos foram em linha semelhante. "Não tenho dúvida de que o potencial de crescimento do Eduardo Campos preocupa os adversários. Especialmente porque ele é conhecido apenas por 25% dos brasileiros", declarou o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). "Acho que o Aécio está mesmo preocupado conosco. É mais um com medo da gente", afirmou o líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS).

Terceira via. Na busca de diferenciar-se como uma terceira via nas eleições de 2014, a aliança Campos e Marina planeja uma atuação conjunta no Congresso que servirá de laboratório para a ação nesta e na próxima legislaturas. A intenção é colocar a bancada do PSB, os apoiadores da Rede e outros aliados para chancelar propostas do Planalto que considerem positivas e se opor ao que não se encaixar no programa em construção.

A atuação conjunta se daria ainda em temas de grande repercussão, como o novo código de mineração, ao qual o grupo de Marina já propôs 13 mudanças, e a proposta de emenda constitucional 215, que delega ao Congresso a demarcação de terras indígenas. As linhas gerais dessa ação devem começar a ser delimitadas em seminário marcado para o dia 29, em São Paulo.

"Nós não serviremos como cúmplices ao perceber que determinada resistência da base é para extrair do governo cargos ou emendas. Vamos querer acordos de mérito nos projetos e não ajudaremos quem faz chantagem", disse o deputado Miro Teixeira (RJ), filiado ao PROS, mas próximo de Marina. / COLABORARAM CAIO JUNQUEIRA, DÉBORA BERGAMASCO e JOÃO DOMINGOS

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