Beto Barata/Agência Estado
Beto Barata/Agência Estado

PRTB vai consultar TSE sobre substituição de Bolsonaro por Mourão em debates na TV

Partido vice na chapa do PSL busca minimizar ausência do presidenciável, que se recupera de atentado à faca

Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2018 | 19h58

BRASÍLIA - Partido do general da reserva Hamilton Mourão, o PRTB consultará o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a possibilidade de o vice na chapa de Jair Bolsonaro (PSL) substituir o candidato nos debates na TV. Em reunião nesta terça-feira, Mourão, os também generais da reserva Augusto Heleno Ribeiro e Oswaldo Ferreira e o presidente do PRTB, Levy Fidelix, avaliaram que a campanha deve tentar, nesta reta final de primeiro turno, minimizar a ausência de Bolsonaro, que se recupera do atentado que sofreu em Juiz de Fora.

Enquanto Bolsonaro planeja gravar vídeos e uma entrevista para rádio no quarto do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde está internado, Mourão se desdobra em viagens e eventos públicos. Nesta semana ele visitará as cidades de Cascavel e Londrina, no Paraná, Rio de Janeiro e Manaus. Na próxima semana, o vice percorrerá cidades do interior paulista visitadas no mês passado por Bolsonaro.

A presença de Mourão nos debates ainda não é consenso na equipe que coordena a campanha presidencial de Bolsonaro. Há resistência por parte do PSL, partido comandado por Gustavo Bebianno. "A gente não pode ficar imobilizado", ressalta Mourão. "Vamos perguntar ao TSE. Se o Tribunal avaliar que sim, aí vamos discutir se devemos ou não participar dos debates", ressaltou. "Bolsonaro que é o homem de massa, das ruas, mas não podemos deixar o espaço vazio", completou.

Vitimização. Mourão ressalta que a volta de Bolsonaro às ruas dependerá da posição dos médicos, mas disse acreditar que até 12 de outubro, quando começa "pra valer" o segundo turno, o candidato estará em condições de participar da campanha. O general avaliou que os vídeos de campanha não devem focar no drama de Bolsonaro no leito de hospital, mas "em outra situação". "Esse troço já deu o que tinha que dar. É uma exposição que já cumpriu sua tarefa", disse. "Vamos acabar com a vitimização, chega."

Levy Fidelix não escondeu a irritação com aliados. Ele chegou a reclamar das "mariposas" que tiveram acesso ao quarto de Bolsonaro e fizeram vídeos "oportunistas". "O Mourão não é um vice à toa, um boneco, um ventríloquo. Ele é um protagonista. Foi isso que acertei lá atrás com o Bolsonaro."

O general Heleno disse que, no trabalho de reorganizar a campanha, é preciso unir o PSL e o PRTB para "traçar" prioridades de eventos e viagens. Na avaliação do general da reserva, a campanha não pode relevar a figura de Mourão neste momento. "O Mourão é um sujeito com muito conteúdo, isso deve ser aproveitado", afirmou. "É claro que ele ainda não tem a empatia do Bolsonaro, porque entrou há pouco tempo na campanha, mas pode cumprir bem o papel", ressaltou. "Para isso, ele é o vice. Ele não é um vice decorativo."

Tanto Mourão quanto Heleno avaliam que a campanha deve partir em direção ao voto dos indecisos, especialmente do eleitorado feminino e das classes mais pobres da população. Heleno disse que é preciso rebater afirmações dos concorrentes de que Bolsonaro está disposto a acabar com o Bolsa Família e programas de educação em áreas de fronteira, por exemplo. "O Bolsa Família é um programa humanitário", afirmou.

As articulações e conversas entre os coordenadores de campanha estão chegando a Bolsonaro especialmente por meio do filho Carlos, vereador licenciado do Rio de Janeiro que acompanha mais de perto o dia a dia do pai no hospital. As prescrições e exigências médicas dificultam o papel moderador e de coordenação que o próprio Bolsonaro fazia antes do atentado.

Heleno relatou que o candidato está "inquieto". "Ele está ouriçado, quer saber de tudo. Está preocupado com a ausência dele na campanha", afirmou. "Qualquer um de nós, em cima de uma cama, fica assim. Ele não é um ET", ressaltou. 

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