André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

PRP oficializa Anthony Garotinho na disputa do governo do Rio

Ex-governador disputa a volta ao cargo mesmo depois de ter sido condenado em segunda instância por improbidade administrativa

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

05 Agosto 2018 | 16h55

RIO - A convenção do PRP confirmou neste domingo a candidatura do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho para disputar a volta ao cargo, mesmo depois do político ter sido condenado em segunda instância por improbidade administrativa no final de julho. Segundo a assessoria do candidato, a condenação não torna o político inelegível por não se referir a enriquecimento ilícito.

Prometendo ressuscitar programas lançados no passado, como o Cheque Cidadão, e vida saudável para idosos, Garotinho também trouxe de volta um antigo jingle de campanha, mais próximo do ritmo gospel do que do samba que marcou a campanha anterior.

A volta foi um tema recorrente na convenção, assim como o ataque aos adversários de campanha. Sobre Romário, candidato do Podemos, disse até gostar como jogador, “mas não se vota no mais famoso, no mais bonito, se vota no mais bem preparado”, disparou.  Já para o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, o recado foi direto: “Vão botar o Eduardo Paes para soltar o Cabral (Sérgio Cabral, ex-governador do Rio que está preso)”, disse referindo-se ao apoio do MDB a Paes, que era do partido, mas migrou para o DEM para disputar o governo do estado. 

O político prometeu que vai reativar novamente o setor produtivo do estado, com ênfase no setor naval, metalúrgico e do turismo, mas que também quer mudar a relação com a Petrobras, sem explicar o que pretende propor. “Vamos trabalhar para reestruturar todo o setor produtivo do estado, com incentivos fiscais que gerem emprego, como eu fiz (quando era governador) no setor naval e metalúrgico.”, afirmou em seu discurso na convenção.

Já com vice-presidente escolhido para a sua chapa, mas sem querer adiantar o nome, Garotinho descartou qualquer risco da sua candidatura ser impugnada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). 

Garotinho foi acusado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) de participar de um esquema criminoso que desviou R$ 234,4 milhões da Secretaria Estadual de Saúde entre 2005 e 2006, quando a governadora era sua esposa, Rosinha Garotinho. Na decisão foi confirmada a dispensa indevida de licitação para contratação da Fundação Pró-Cefet , que foi viabilizado depois que Garotinho, então secretário do governo Rosinha, rompeu um contrato em vigor com a Fundação Escola de Serviço Público (Fesp).

Garotinho e Rosinha também estiveram presos de novembro a dezembro do ano passado e foram soltos por habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes.

Na semana passada, a procuradora geral da República, Raquel Dogde, pediu ao Supremo Tribunal Federal que dê prioridade ao julgamento de um agravo contra o ex-governador do Rio pela condenação feita pela 100ª Zona Eleitoral por corrupção com compra de votos para as eleições de 2016 em Campos dos Goytagazes, município no interior do estado do Rio de Janeiro.

Apoiado até o momento por quatro partidos - PRB, Pros, PMB e Patriota-, Garotinho disse que vai se isentar das eleições presidenciais. “A minha chapa tem cinco candidatos a presidente diferentes, então o melhor é que eu me mantenha neutro”, afirmou. 

A convenção do PRP foi realizada em uma quadra de escola de samba no Centro da cidade do Rio de Janeiro, que ficou lotada de pessoas que chegaram em dezenas de ônibus fretados e vans.

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