Protótipo que petista viu em Davos deu origem ao projeto

Programa UCA teve início em cinco municípios e foi implantado em 300 cidades; desde 2007, União gastou R$ 200 mi

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2012 | 12h05

O nome do programa Um Computador por Aluno (UCA) veio do inglês One Laptop per Child, projeto que encantou o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2005. No Fórum Econômico Mundial de Davos, Lula foi apresentado a um protótipo de papelão do netbook popular que deveria revolucionar a educação no planeta. Lula assumiu ali o compromisso de distribuir laptops nas escolas do País.

Dois anos depois, o UCA teria uma primeira experiência em cinco cidades brasileiras. Em 2010, foi estendido a 300 municípios - uma escola por localidade. O governo distribuiu 150 mil laptops, comprados a R$ 553 cada um, numa licitação vencida pela CCE/Digibras. O governo pagou R$ 82,5 milhões.

Os insucessos registrados no lançamento do UCA em análise do Banco Mundial foram relevados por terem sido considerados "extremamente pessimistas" na interpretação dos resultados, lembra relatório encomendado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE).

Ainda no último ano de mandato de Lula, o governo lançou o UCA-Total, que previa a distribuição de computadores a alunos e professores de todas as escolas públicas de cinco cidades pequenas. Foi acrescentada à última hora Caetés (PE), vizinha a Garanhuns, terra natal de Lula, que não chegou a ser avaliada pelo trabalho pedido pela SAE.

"Trata-se de um projeto ambicioso, de trazer a escola para o mundo de hoje", disse o atual secretário executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez, que coordenou a primeira etapa de implementação do projeto, diretamente vinculado à Presidência da República.

Órfão. Com a posse da presidente Dilma Rousseff, Alvarez deixou o Planalto e o projeto, que deveria ser tocado pelo Ministério da Educação, ficou órfão. A Secretaria Especial de Ensino à Distância, que apoiava o programa, foi extinta.

Alvarez continua um entusiasta do UCA, apesar dos problemas de conexão à internet, qualificação dos professores e subutilização dos computadores.

"À União, cabe garantir o pano de fundo. Os problemas de continuidade vão acontecer, porque estamos numa federação. Há problemas culturais, professores com formação inadequada, uma gurizada que vai mais rápida. Há experiências riquíssimas, belíssimas e coisas ruins", disse.

A intenção, segundo Alvarez, era estimular prefeitos e governadores a cuidarem da inclusão digital nas escolas. A expectativa era que eles comprassem até 600 mil computadores de um pregão vencido pela Positivo Informática, em setembro de 2010. Os laptops foram oferecidos a dois preços (R$ 344,18 ou R$ 376,94), dependendo da região.

Segundo a Positivo, 240 cidades aderiram ao negócio. Foram vendidas pouco mais de 300 mil máquinas. "O programa está permitindo que as escolas tenham acesso aos laptops educacionais com crédito facilitado e custo acessível. Não acreditamos em computadores sem os conteúdos educacionais corretos e a capacitação adequada dos professores", afirmou a empresa. / M.S.

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