Protestos contra parlamentar ganham mais apoio de artistas

A permanência do deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP) no comando da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara virou mote da classe artística. Além de um ato no Rio do qual participou uma série de artistas, na segunda-feira, a atriz Fernanda Montenegro deu um beijo na boca da também atriz Camila Amado em repúdio às posições do parlamentar, e o cantor Chico Buarque anunciou sua adesão aos protestos, que devem continuar nas próximas semanas.

ISADORA PERON, O Estado de S.Paulo

28 de março de 2013 | 02h03

Segundo o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), o cantor teria lhe enviado um e-mail na terça-feira afirmando que apoia os protestos que pedem a saída de Feliciano. "O Chico Buarque me mandou um e-mail e pediu para que eu colocasse o nome dele em qualquer abaixo-assinado que defenda os direitos humanos. Ele disse: 'Assino qualquer lista em defesa da Comissão de Direitos Humanos e pela saída deste deputado horroroso'", contou Freixo.

Ao lado do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), que tem articulado os protestos contra Feliciano na Câmara, Freixo organizou uma manifestação na segunda-feira que contou com vários artistas, como o cantor Caetano Veloso e o ator Wagner Moura. Representantes de lideranças religiosas, movimentos sociais e outros parlamentares também participaram do evento no Rio.

Foi naquele mesmo dia, na entrega do prêmio da Associação dos Produtores de Teatro do Rio, que Fernanda Montenegro beijou a amiga Camila Amado como forma de protesto contra Feliciano, notório opositor da união homoafetiva e considerado racista após comentários sobre a África feitos nas redes sociais. No mesmo evento, outros dois atores - Tonico Pereira e Ricardo Blat - também deram um beijo-protesto.

Agenda. Uma nova manifestação contra Feliciano já tem data marcada. Segundo Freixo, será no dia 7, em Copacabana. "A permanência de Feliciano na comissão é um projeto político, para anular as lutas dos direitos humanos. A nossa briga não é porque se trata de uma pessoa religiosa. Esse é um movimento contra a intolerância e o fundamentalismo, contra um grupo que não aceita o direito das minorias", disse o deputado.

Feliciano foi eleito no início deste mês para o comando da comissão e começou a ser alvo de protestos mesmo antes de assumir o cargo. Ele, no entanto, nega as acusações de que seja homofóbico ou racista e diz sofrer preconceito por ser evangélico.

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