Protesto reflete pressão sobre Comissão da Verdade

A criação da Comissão da Verdade e o debate sobre a revisão da Lei da Anistia são os motivos apontados por oficiais da reserva para o conflito ocorrido na quinta-feira na saída do Clube Militar, após evento comemorativo de 48 anos do golpe de 1964.

ALFREDO JUNQUEIRA, HELOISA ARUTH STURM / RIO, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2012 | 03h05

Cerca de 300 manifestantes de partidos de esquerda e movimentos sociais cercaram a sede do clube e xingaram de "assassinos" e "torturadores" militares que passavam pelo local. Ovos e tinta vermelha foram atirados. Foi preciso a intervenção da Polícia Militar, que chegou a prender manifestantes.

"O clima político com essa criação da Comissão da Verdade criou uma certa ansiedade na população. A gente está assistindo a uma expectativa que não é boa. Isso pode levar a um movimento de desordem que nós não desejamos", disse o presidente do Clube Naval, almirante Ricardo Antônio da Veiga Cabral.

Para o vice-presidente do Clube Militar, general da reserva Clovis Bandeira, os "donos da verdade querem impor a sua vontade aos outros cidadãos".

Vídeo. A mobilização para o ato em frente ao Clube Militar ocorreu por meio das redes sociais. Um vídeo postado pelo cineasta Silvio Tendler no início da semana no YouTube teve 13 mil visualizações. "É inadmissível que exista gente que ainda hoje pretenda comemorar o golpe de 64. Eu convoco todos os jovens, todas as pessoas com ideais democráticos, a manifestar o seu apreço pela liberdade, pela democracia, e pelo direito de expressão", diz Tendler no vídeo.

Para a professora do Departamento de Sociologia e Política da PUC-Rio Maria Celina d'Araujo, a mobilização contra a comemoração reflete a postura radical de parte dos militares da reserva contra a Comissão da Verdade. "Essa minoria organizada está reagindo à forma como os generais da reserva têm lidado com o tema. As entrevistas desses militares têm sido veementes. O tom tem sido deselegante com a presidente Dilma Rousseff e o ministro Celso Amorim", disse Maria Celina. "Eles (generais da reserva) querem usar um poder de veto para sustar essa discussão. Isso não existe numa democracia."

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