Protesto esvaziado perdeu foco, diz ministro

Carvalho lamenta violência em 7 de Setembro; parte dos manifestantes permanece na prisão

João Domingos e Ricardo Della Colleta, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2013 | 02h09

BRASÍLIA - Responsável pelo diálogo do Palácio do Planalto com movimentos sociais e entidades da sociedade civil, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmou neste domingo, 8, que os protestos de 7 de Setembro, pelo fato de terem sido violentos e esvaziados, não conseguiram impor uma reivindicação clara para que o governo federal possa tentar respondê-la.

"Eu preferiria que as manifestações tivessem sido vigorosas e pacíficas. Esvaziadas como foram, não dá nem para saber as bandeiras das reivindicações", afirmou o ministro da presidente Dilma Rousseff.

Na avaliação preliminar do governo federal sobre os atos de anteontem, o fato de o protagonismo ter sido tomado pelos grupos radicais como os Black Blocs acabou abafando os movimentos sociais que tradicionalmente realizam, em parceria com a Igreja Católica, o Grito dos Excluídos na mesma data.

"É ruim que as pessoas tenham medo das manifestações", disse Carvalho. "A democracia perde com isso". Para o ministro, é preciso que todos aprendam as lições que podem ser tiradas das manifestações de rua de anteontem. Se foram bem menos volumosas do que os protestos de junho, é porque "algo de errado aconteceu".

Carvalho destacou o fato de o desfile de 7 de Setembro, com a presença de Dilma, ter sido pacífico em Brasília. A presidente chegou a manifestar o temor de que a onda de protestos no domingo fosse muito grande, e que saísse do controle das forças de segurança. Tanto é que durante o desfile, na Esplanada dos Ministérios, perguntava a seus ministros, a todo instante, como é que estavam as ruas.

Dilma ficou sabendo, por exemplo, que enquanto ela via o desfile num palanque montado em frente ao Ministério da Defesa, cerca de 200 jovens se reuniam a cerca de um quilômetro, do outro lado da pista, onde fica o Museu Nacional.

Ao deixar o desfile no carro oficial, Dilma foi vista ao telefone, recebendo informações sobre a organização dos movimentos, em todo o País.

Desde junho, quando ocorreram os protestos mais fortes e mais de 1 milhão de pessoas ocuparam as ruas das principais cidades, Dilma vinha sendo informada diariamente sobre a tendência dos movimentos reivindicatórios. Com mais de um mês de antecedência ela sabia que estavam sendo marcados protestos para o 7 de setembro.

Na véspera, a presidente chegou a fazer um pronunciamento em cadeia de rádio e TV para prestar conta das promessas feitas ainda em junho, como resposta dos atos daquele mês.

Prisões. As manifestações de anteontem acabaram com mais de 200 pessoas presas em várias capitais do País. Ontem, muitos manifestantes ainda permaneciam na cadeia por dano ao patrimônio público.

Em São Paulo, de 40 detidos, quatro permaneciam na prisão até ontem. Além dessas pessoas, quatro adolescentes detidos foram encaminhados para a Fundação Casa (ex-Febem).

No Rio, onde 77 pessoas foram presas, só uma continua na cadeia por portar uma bomba. . Nove pessoas foram encaminhadas a delegacias para identificação por estarem portando máscaras e 19 foram autuadas mas, em seguida, liberadas.

Em Minas, cuja capital, Belo Horizonte, também registrou tumultos anteontem , as 17 pessoas detidas continuam presas. Elas estão em uma penitenciária. A maior parte é acusada de formação de milícia armada, desacato e depredação.

Em Brasília, onde também houve confrontos entre manifestantes e PM, todos os 50 detidos foram liberados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.