Protesto de separatistas bloqueia rio no Pará

Frente que defende a divisão do Estado tentou impedir transporte de bauxita

DANIEL BRAMATTI, ENVIADO ESPECIAL / BELÉM, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2011 | 03h05

Às vésperas do plebiscito sobre a divisão do Pará em três Estados, manifestantes favoráveis à criação do Estado de Tapajós bloquearam ontem o Rio Amazonas com dezenas de canoas, em frente ao porto de Santarém, impedindo o tráfego de navios carregados de bauxita.

Enfeitadas com bandeiras do movimento pró-Tapajós, as canoas com motor de popa - chamadas de "bajaras" na região - tentaram impedir a passagem de navios carregados de bauxita oriundos de Oriximiná, cidade localizada cerca de 200 quilômetros rio acima.

O município é sede da empresa Mineração Rio Norte. Segundo a assessoria de imprensa da frente pró-Tapajós, um navio conseguiu furar o bloqueio, mas outro ficou retido. A Capitania dos Portos em Santarém se mobilizou para evitar eventuais choques de embarcações durante o protesto.

Segundo os separatistas, o bloqueio da bauxita - minério utilizado na fabricação de alumínio - é uma forma de atacar simbolicamente o modelo econômico de exploração da região. Para os defensores de Tapajós, as riquezas provenientes da mineração não trazem benefícios para a população, a quem consideram "abandonada" pelo governo paraense.

A causa separatista conquistou a imensa maioria da população de Santarém e dos municípios vizinhos, e também a de Marabá e arredores, onde ficará sediado o Estado de Carajás, caso a divisão seja aprovada no plebiscito de amanhã.

Mas a possibilidade de isso acontecer é remota: pesquisas indicam que o "não" à separação é majoritário em Belém e nas grandes cidades da região metropolitana, onde se concentra a maioria do eleitorado.

Abstenção. Integrantes da frente que defende a manutenção do atual território do Pará monitoraram nos últimos dias a saída de carros de Belém para avaliar os efeitos do feriado da última quinta-feira, dia de Nossa Senhora da Conceição.

A frente pelo voto "não" no plebiscito temia que o feriado local provocasse a saída em massa de eleitores da capital, mas, segundo seus líderes, isso não ocorreu. "A saída de veículos foi menor do que temíamos", disse o deputado Zenaldo Coutinho (PSDB-PA), um dos organizadores da campanha.

Por temer uma abstenção muito alta no plebiscito, os defensores do "não" chegaram a consultar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a possibilidade de mudar a data da consulta, mas receberam resposta negativa.

No interior do Estado, onde o voto pró-separação é majoritário, a preocupação com a alta abstenção também existe. As cidades do sul e do oeste do Pará têm elevada parcela de suas populações morando em zonas rurais, que nem sempre têm transporte regular até as zonas de votação.

Em eleições normais, apesar de a prática ser proibida, o transporte de eleitores costuma ser organizado pelos próprios candidatos, principalmente os que concorrem a cargos no Poder Legislativo.

As frentes separatistas também temem a desmobilização de parte de seus simpatizantes se pesquisas indicarem a vitória do "sim" como inevitável.

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