Protesto contra desocupação de área indígena bloqueia estrada

Interdições na BR-158, desde sábado, já causa desabastecimento em Alto da Boa Vista; polícia diz que situação é caótica

FÁTIMA LESSA , ESPECIAL PARA O ESTADO / CUIABÁ, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h03

Produtores de Mato Grosso decidiram unir as forças contra a desocupação da Terra Indígena Marãiwatsédé, no norte de Mato Grosso, determinada pelo Supremo Tribunal Federal, e estão bloqueando cidades diferentes ao longo da BR-158, que liga Goiás, Mato Grosso e Pará.

Na tarde de ontem, entre 15 e 17 horas, o bloqueio foi na rodovia em Barra do Garças. Amanhã, segundo os produtores, a interdição será entre 9 e 11 horas. Eles dizem que pretendem interditar ainda esta semana trechos da rodovia em Primavera do Leste e Rondonópolis.

O inspetor Fabiano Jandrei, da Polícia Rodoviária Federal, disse que "a situação é caótica e não há como a polícia resolver". "Estamos tentando cumprir a ordem judicial sem confronto", disse o inspetor. Com relação à informação de que "o revolto" dos pequenos estaria sendo incentivado pelos grandes, ele disse que "o governo já está adotando medidas para lidar com eles". Os bloqueios das rodovias começaram no sábado e eram realizados pelos próprios invasores na região norte do Estado. Agora, a ação ficou mais forte com o apoio dos grandes fazendeiros.

Segundo o Ministério Público Federal de Mato Grosso, grande parte das áreas da Terra Indígena Marãiwatsédé está nas mãos de 22 grandes posseiros. O grupo constituído de prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, empresários e até um desembargador, segundo o levantamento, é dono de mais de 32 fazendas - o equivalente a 44,6 mil hectares.

O presidente do Sindicato Rural de Barra do Garças, Rodrigo Ragiotto, informou que há mobilização em todas as regiões de Mato Grosso.

Desabastecimento. O bloqueio da rodovia em trechos diferentes já provoca desabastecimento, principalmente em Alto da Boa Vista. Lá faltam gêneros alimentícios e as prateleiras dos supermercados estão vazias. Segundo comerciantes, o estoque na cidade "não dá para atender mais de 10 dias". O empresário Moraes confirmou que já faltam alguns produtos como farinha, arroz, extrato de tomate, além de verduras, frios e laticínios.

A cidade é abastecida por fornecedores de Cuiabá, São Paulo e Goiás e os caminhões não conseguem passar pelos bloqueios. Na terça-feira à noite, a estrada foi liberada por uma hora, mas depois foi bloqueada novamente.

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