Propaganda tucana na TV fica sem Serra e sem Aécio

Direção do PSDB quer evitar nova disputa entre eles; inserções vão abordar Era FHC e crises do governo Dilma

MALU DELGADO, JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2011 | 03h04

Para evitar uma nova rodada de conflitos internos, o comando nacional do PSDB decidiu que nem Aécio Neves (MG) nem José Serra (SP) serão protagonistas nas inserções partidárias de 30 segundos que o partido veiculará em cadeia nacional de rádio e televisão em novembro. Estão sendo preparados cerca de 35 filmetes. A briga entre Aécio e Serra, com disputa por espaço no último programa partidário, provocou desgaste entre dirigentes e explicitou, mais uma vez, a falta de unidade da legenda para o projeto presidencial de 2014.

As inserções, segundo dirigentes do partido envolvidos nas negociações sobre o formato e conteúdo das peças, terão foco em três linhas de ação já exploradas no programa partidário que foi ao ar no último dia 13. A primeira é reforçar realizações do partido e o legado de Fernando Henrique Cardoso, com destaque para o Plano Real e o controle da inflação, a privatização das telecomunicações e a criação da Lei de Responsabilidade Fiscal.

A segunda é ressaltar ações dos governos estaduais do PSDB, cuja média de avaliação é positiva. Por último, o partido adotará o discurso de oposição ao atual governo, explorando as recentes crises de corrupção que abateram ministros.

Entrelinhas. Ainda que nem Aécio Neves nem José Serra tenham sido convocados a estrelar os comerciais, o mineiro certamente terá seus minutos de fama quando o partido abordar as gestões estaduais do PSDB. Aécio deixou o governo de Minas com uma das melhores avaliações do País, aprovado por mais de 70% da população.

O PSDB encomendou pesquisas qualitativas para formular uma nova ação de marketing e surpreendeu-se com algumas constatações. A principal delas é que o eleitor tem pouco conhecimento do comportamento do partido na esfera estadual, apesar de as administrações tucanas serem bem aceitas pela população local. Outra revelação da pesquisa é que o partido não conseguiu fixar na cabeça do eleitorado uma linha histórica das realizações políticas do governo Fernando Henrique Cardoso.

A reconciliação com FHC é tamanha que não está descartada, por exemplo, a possibilidade de o ex-presidente aparecer nas inserções partidárias. Fernando Henrique Cardoso foi hostilizado pelo PSDB nas duas últimas campanhas eleitorais de 2006 e 2010. A avaliação era a de que o ex-presidente tinha alto índice de rejeição e poderia atrapalhar o desempenho dos candidatos - Geraldo Alckmin e José Serra, respectivamente.

A propósito das brigas entre tucanos, cada vez mais declarada, inclusive via Twitter, o ex-presidente teria feito a seguinte confidência sarcástica em conversa recente com correligionários: "Se eu fosse uns 10 anos mais novo, disputaria de novo a Presidência e evitaria essa confusão entre o Serra e o Aécio".

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