Promotoria vai investigar venda de jornal

O promotor criminal de Justiça em Santo André, Roberto Wider, vai abrir procedimento investigatório sobre crime de lavagem de dinheiro que teria ocorrido na compra do jornal Diário do Grande ABC pelo empresário Ronan Maria Pinto. A decisão foi tomada a partir da divulgação do relato de Marcos Valério, operador do mensalão.

O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h07

Valério afirmou, em depoimento à Procuradoria-Geral da República, que o PT queria que ele providenciasse R$ 6 milhões a serem entregues a Ronan, que estaria chantageando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) e Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria-Geral da presidente Dilma Rousseff.

"Pelo que entendi claramente, Ronan queria extorquir o ex-presidente Lula e os outros", avalia o promotor que integrou força tarefa do Ministério Público Estadual para investigar o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), em 2002, e a rede de corrupção que se havia instalado na administração do petista.

Wider disse que vai requerer a quebra do sigilo bancário do empresário Maury Dotto, que vendeu o jornal a Ronan, e "identificar a origem dos recursos do negócio". Ele também vai intimar Marcos Valério. "Eu deduzi do depoimento dele que Ronan fez uma extorsão, recebeu aquele valor e a lavagem pode ter ocorrido na compra do jornal. São crimes de competência estadual aqui na minha Comarca. Tenho competência inequívoca para apurar essa parte do relato de Valério."

O promotor explica que já suspeitava de lavagem de dinheiro. O depoimento de Valério reforça sua linha de investigação. Dotto havia comprado o Diário de Alexandre Polesi, em abril de 2004, por R$ 12 milhões. Ronan é alvo da promotoria desde a descoberta de um esquema de corrupção na gestão Celso Daniel. "No que me diz respeito o depoimento (de Valério) é muito consistente. Pode indicar a origem e o destino do dinheiro que Ronan teria extorquido do Lula."

A assessoria de Ronan informou que ele não conhece pessoalmente Marcos Valério e que jamais tinha ouvido falar de José Carlos Bumlai - pecuarista que, segundo Valério, levantou o dinheiro para entregar a Ronan. O empresário se diz disposto a atender qualquer solicitação do Ministério Público e nega irregularidade. "Ao longo dos últimos dez anos, em que vem sendo investigado pelo Ministério Público, seus sigilos já foram quebrados e nada se encontrou de irregular ou ilícito", sustenta a assessoria. "É por isso que Ronan vem sendo sucessivamente absolvido nos processos em que foi envolvido e não tem receio de quaisquer investigações, embora desnecessárias diante dos fatos que se seguem."

Dotto, que vendeu 39,8% do jornal a Ronan, afirmou que a transação foi "normal", mas disse que não conhece a origem do dinheiro usado para o pagamento. "Para mim, foi um negócio normal, mas eu não sei de onde vem o dinheiro. / FAUSTO MACEDO e BRUNO BOGHOSSIAN

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