Promotoria quer novo julgamento de réu absolvido pelos jurados

Advogados do casal de extrativistas vão insistir na condenação do suposto mandante; defesa também recorrerá

CARLOS MENDES / BELÉM , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

06 Abril 2013 | 02h03

Os promotores de Justiça Bruna Rebeca, Ana Maria Magalhães e Danyllo Colares pediram ontem um novo julgamento para José Rodrigues Moreira, suposto mandante do assassinato do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva. Moreira foi absolvido anteontem por quatro votos a três pelo tribunal do júri, em Marabá (PA).

Os outros dois acusados, Alberto Lopes do Nascimento e Lindonjonson Silva Rocha, foram condenados a mais de 40 anos de prisão cada. "Só parte da justiça foi feita e nós só descansaremos quando condenarmos o mandante do crime", afirmou Ana Maria Magalhães.

Os advogados dos dois condenados, Wandergleisson Silva e Erivaldo Santis, também anunciaram que vão recorrer, por entenderem que o processo estaria "cheio de falhas". Para eles, seus clientes entraram "condenados pela mídia" na sala do júri antes mesmo da realização do julgamento.

Em sua argumentação, o promotor Danyllo Colares afirma que há "bastante provas nos autos" contra Moreira. Ele disse que o réu apelou para um "golpe teatral", ao ajoelhar-se no tribunal, forçar o choro e se dizer um homem temente a Deus, para influenciar os jurados antes que estes se recolhessem à sala secreta para definir se absolveriam ou condenariam os três acusados.

A Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos considerou "incoerente" a absolvição do suposto mandante do crime. Essa decisão representa uma "cadeia da impunidade, que tem que ser quebrada", disse o diretor da entidade, advogado Marcelo Freitas.

A incoerência, segundo Freitas, está entre as provas dos autos e o rigor máximo da condenação estabelecida para Alberto Nascimento e Lindonjonson Silva Rocha. "Ora, se eu tenho os executores, que são meros artífices dessa ação, eu tenho que chegar ao mandante. Esta é a cadeia da impunidade que tem que ser quebrada", questionou o advogado, ao defender a necessidade de um novo julgamento.

Na véspera, a Anistia Internacional divulgou nota considerando "importante" a condenação dos dois executores do crime mas advertindo que "a ausência de condenação de um mandante mantém a impunidade". A entidade considera "grave" que a sentença acabe desmoralizando o trabalho das vítimas, "culpabilizadas pelo agravamento do conflito".

Falhas. Justificando a absolvição de Moreira, seus advogados sustentam que não havia provas para incriminá-lo e que as acusações de ameaças feitas pelo casal de extrativistas nunca mencionaram o nome dele e sim de outros fazendeiros e madeireiros da região de Nova Ipixuna.

Familiares do casal José Cláudio e Maria do Espírito Santo informaram às autoridades que estão temerosos de voltar ao assentamento Praialta-Piranheira, onde trabalhavam e onde o casal foi assassinado. O temor é que Moreira, agora inocentado e solto, venha a cumprir as ameaças que fez para retirar famílias do lote que diz ser dele, além de ajustar contas com as testemunhas que o acusaram no processo.

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