Promessas a fundo perdido

 BRASÍLIA - Alheios ao drama que enfrentam as contas públicas nacionais, os principais candidatos ao Palácio do Planalto começaram a campanha disputando um campeonato de quem oferecia as maiores bondades ao eleitorado. E nessa corrida a candidatura do PSB saiu na frente. Primeiro, o falecido ex-governador Eduardo Campos e, agora, a candidata Marina Silva, recorreram tanto à fórmula que as promessas passaram a ser atacadas pelos rivais - e Marina vem sendo acusada de vender algo que não poderá entregar.

Lu Aiko Otta, O Estado de S. Paulo

07 de setembro de 2014 | 22h00

O economista-chefe da corretora Tullett Prebon, Fernando Montero, fez as contas e concluiu: para bancar suas duas principais promessas, a de gastar na Saúde 10% da receita bruta e “acelerar” o Plano Nacional de Educação - que prevê a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a área, Marina Silva teria de arranjar um volume adicional de dinheiro que corresponde a dois pontos porcentuais do Produto Interno Bruto (PIB).

Traduzido em reais, considerando a projeção do governo para o PIB de 2015, essas duas promessas somam R$ 114 bilhões. O ministro da Fazenda de Marina teria de dobrar os malabarismos que o atual titular da pasta, Guido Mantega, vem fazendo para cumprir a meta fiscal.

A candidata Dilma Rousseff (PT) não perdoou. No debate do SBT realizado na semana passada, ela disse que a conta das promessas de Marina chegavam a R$ 140 bilhões - um valor maior do que o de Montero por incorporar também o passe livre e o aumento de transferência de recursos a Estados e municípios - e perguntou de onde viria o dinheiro. Marina respondeu que faria as escolhas certas, e não as erradas que foram feitas agora.

Também o candidato do PSDB, Aécio Neves, questionou a consistência das propostas de Marina e usou a lista de boas intenções da candidata para reforçar sua inexperiência. Com isso, reafirmou sua estratégia de se colocar como uma opção de "mudança segura" em relação ao atual governo.

O que não quer dizer que Dilma e Aécio não tenham sinalizado com o aumento de gastos. A candidata petista prometeu, por exemplo, beneficiar mais 12 milhões de jovens com o Pronatec. E, além disso, construir mais 3,5 milhões de casas no programa Minha Casa, Minha Vida.

A proposta para o Orçamento de 2015 que Dilma enviou ao Congresso no mês passado prevê gastos adicionais de R$ 8,9 bilhões na Saúde, R$ 8,9 bilhões a mais em educação, R$ 1,7 bilhão a mais no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e no Minha Casa Minha Vida e R$ 1,4 bilhão adicional para as áreas de desenvolvimento social e combate à fome. 

A promessa do tucano Aécio Neves que mais chamou a atenção foi feita aos aposentados. Além do reajuste anual, eles teriam um adicional para fazer frente à alta do preço dos medicamentos. 

O custo anual dessa promessa, porém, não passaria de R$ 1 bilhão ao ano, segundo o economista Mansueto Almeida, espécie de consultor do tucano. “O reajuste dos medicamentos no ano passado foi perto de 4% e é preciso ponderar isso com o peso dos remédios no orçamento do aposentado”, afirmou. O candidato do PSDB também prometeu dobrar o valor da contrapartida da União ao Fundo Nacional de Educação Básica (Fundeb), o que representa perto de R$ 10 bilhões. Isso, explica Mansueto, pode ser bancado com o dinheiro que deixará de ser gasto, a partir do ano que vem, com os subsídios ao setor elétrico. Só neste ano, foram R$ 18 bilhões a fundo perdido.

Tudo o que sabemos sobre:
desafios economiaEleiçõesCandidatos

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.