Promessa, creches de Dilma ainda não vingaram

Dados do Ministério da Educação mostram que apenas 347 funcionam no País, todas do período anterior à gestão Dilma

TÂNIA MONTEIRO, RAFAEL MORAES MOURA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2012 | 03h12

Apesar de a presidente Dilma Rousseff assegurar na cerimônia de lançamento do programa Brasil Carinhoso que a construção de creches no País é "prioridade" do seu governo, nenhuma das 6.427 creches que ela prometeu durante sua campanha entrou em funcionamento até agora. Segundo dados apresentados pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, existem hoje em funcionamento no País apenas 347 creches, todas do período pré-Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC), ou seja, foram construídas até o governo do ex-presidente Lula.

Principal aposta do PT nas eleições municipais de 2012, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad deixou o ministério para se candidatar à Prefeitura de São Paulo sem entregar nenhuma das creches prometidas pela presidente.

Em entrevista, o atual ministro da Educação informou que 1.507 creches estão sendo construídas e, na cerimônia de hoje, outras 1.512 foram contratadas.

Mercadante justificou a demora na entrega das obras alegando que os prefeitos levam de um ano e meio a dois anos para conseguir construir uma creche, atrasando o cronograma.

Segundo o ministro, o governo está buscando uma forma de acelerar essas construções porque "não existe restrição orçamentária" para o programa.

Na solenidade, a presidente anunciou que toda a família que tenha pelo menos uma criança de zero a 6 anos vai receber uma renda mensal, por pessoa da família, de no mínimo R$ 70. Como será uma renda complementar, se a família já for beneficiada pelo Bolsa Família, ela receberá apenas a diferença, de forma que se chegue a este mínimo per capita de R$ 70.

Dois milhões de pessoas que vivem na extrema pobreza serão beneficiadas pelo programa. O custo do programa, segundo a ministra do Desenvolvimento Social, Teresa Campelo, será de R$ 2 bilhões. Para os dois próximos anos, segundo Mercadante, serão gastos R$ 8 bilhões, sendo R$ 4 bilhões em cada ano, totalizando R$ 10 bilhões até 2014. De acordo com Teresa Campelo, com apenas uma medida, será possível reduzir em 40% a pobreza extrema do País.

Durante o discurso, Dilma reiterou a promessa de eliminar até o fim do seu governo a pobreza extrema no Brasil. "Nós temos de ter muito orgulho de termos esse foco social", disse a presidente, admitindo que "ainda falta muito a fazer".

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