Programa usa metodologia nova desde 2011

Os desentendimentos entre o governo e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) em torno do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) têm relação direta com mudanças de metodologia feitas em 2011. Segundo o especialista Flávio Comin, que coordenou no Brasil relatórios anteriores do IDH, as mudanças metodológicas tornaram o índice mais complexo e menos transparente.

O Estado de S.Paulo

15 de março de 2013 | 02h45

Desde 2011, os valores das variáveis que compõem o IDH (expectativa de vida, média de anos de estudo, expectativa de vida escolar e renda nacional bruta) não são absolutos, mas "normalizados" segundo o progresso dos países de melhor desempenho. Vale não apenas o desempenho de cada país, mas também sua performance em relação aos melhores.

Um das consequências dessa mudança é a necessidade de recalcular, a cada relatório, o IDH dos anos anteriores, o que complica comparações e análises. Quando o IDH de 2011 foi divulgado há dois anos, por exemplo, o Brasil aparecia em 84.º lugar no ranking. Em 2013, o País passou para a 85.ª posição, mas não se pode dizer que caiu, porque o resultado revisado de 2011 também o colocou em 85.º lugar.

"O objetivo do IDH era ser simples e transparente", afirmou Comin. "Ele deveria ajudar a opinião pública a comparar a situação de seu país com a dos demais e permitir a observação do que ocorre ano a ano."

O uso de dados desatualizados é outro fator complicador. "Há resultados para todos os gostos", disse o especialista.

Daniela Gomes Pinto, analista de desenvolvimento do Pnud, afirmou que o Brasil não é o único a reclamar do uso de dados desatualizados. "Nem todos os países analisados têm dados mais recentes. Por isso, precisamos, muitas vezes, recorrer a indicadores mais antigos, para que o dado seja universal", explicou a analista. / DANIEL BRAMATTI

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