Procuradoria vai analisar empresa de Renan

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou ontem que vai analisar o investimento de R$ 300 mil do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), numa empresa imobiliária que funcionou por aproximadamente um ano. Reportagem publicada ontem pelo Estado mostrou que a Tarumã Empreendimentos Imobiliários Ltda. foi aberta após as eleições de 2010 em uma sala no Lago Sul em Brasília e fechada meses depois, após um aporte em dinheiro vivo.

MARIÂNGELA GALLUCCI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2013 | 10h21

Gurgel disse que vai examinar o caso para decidir que providências tomará. Cabe ao procurador-geral pedir a abertura de inquéritos e processos criminais contra autoridades. No caso da Tarumã, documentos da Junta Comercial do Distrito Federal mostram que a empresa tinha como sócios Renan e seus filhos Rodrigo e Rodolfo Calheiros. Renan investiu R$ 9 mil e os filhos, R$ 500 cada um.

Meses depois, o senador deixou oficialmente a empresa e foi substituído pela mulher, Maria Verônica. Houve um aporte de R$ 290 mil ao negócio. Procurado pela reportagem, Renan não quis dar informações sobre o empreendimento. Disse que as operações envolvem atividades privadas.

Em nota divulgada no início da noite de ontem, Renan informou que "todos os aspectos fiscais e empresarias dos contribuintes Renan, sua esposa e seus filhos, estão devidamente registrados perante os órgãos oficiais de controle". O senador disse ainda que a abertura de inquérito pela Procuradoria-Geral foi um pedido seu e que ele é o maior interessado no desenlace da questão. O senador manteve a posição de não explicar as operações da Tarumã.

Falsidade ideológica. Recentemente, Gurgel denunciou Renan ao Supremo Tribunal Federal por suposto envolvimento com os crimes de falsidade ideológica, uso de documentos falsos e peculato. Segundo o procurador, antes de o STF decidir se aceitará ou não a denúncia, Renan será intimado para apresentar uma resposta. Se a denúncia for aceita, será aberto um processo criminal e o senador passará da condição de investigado para a de réu.

A apuração foi aberta após o surgimento de suspeitas de que Renan tinha despesas pessoais pagas por um empresário. Para justificar o dinheiro, ele teria apresentado documentos falsos, segundo o procurador.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.