Procuradoria rastreia dinheiro desviado no Caso Sanasa

Promotores suspeitam que ex-primeira-dama de Campinas usou parte do dinheiro na compra de um shopping nos EUA

RICARDO BRANDT / CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h03

O Grupo Especial de Atuação de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual, começou a rastrear o dinheiro desviado dos cofres públicos no Caso Sanasa - escândalo de corrupção da prefeitura de Campinas. Os promotores apuram se parte do dinheiro foi usado na compra de imóveis e de um shopping center em Miami, nos Estados Unidos, pela família do prefeito cassado Hélio de Oliveira Santos (PDT), o Dr. Hélio. O Ministério Público apura se houve desvios em contratos que somam mais de R$ 600 milhões.

A mulher de Dr. Hélio, a ex-primeira-dama Rosely Santos, é a principal acusada no processo que julga a suposta quadrilha formada no governo Hélio para fraudar contratos e cobrar propina de empresários na Sociedade de Abastecimento de Água e Esgoto de Campinas (Sanasa). O escândalo terminou com a cassação do prefeito, 11 presos, entre eles a ex-primeira-dama e o vice-prefeito Demétrio Villagra (PT), e 22 denunciados por formação de quadrilha e corrupção.

O delator do esquema, o ex-presidente da Sanasa Luiz Castrilon de Aquino, afirmou em depoimento à Justiça no mês passado que todos os contratos apurados eram alvo de cobrança de porcentuais que variavam de 5% a 12%.

Além dos imóveis e do shopping, são foco da investigação uma transportadora que esteve registrada em nome da ex-primeira-dama - a Solução Transporte e Logística, que tinha como sede um escritório político do prefeito - e imóveis rurais.

"Está claramente deduzido que houve o trânsito de dinheiro ilícito, ou seja, dinheiro de corrupção, que teria sido exigido por alguns dos agentes públicos que na época ocupavam cargos em Campinas. Se houve, era também dever do Ministério Público aferir o trânsito desse dinheiro e qual destino foi dado para esse numerário", afirmou o promotor Amauri Silveira Júnior.

Para isso, os promotores abriram pelo menos cinco procedimentos de investigação criminal para apurar separadamente o destino do dinheiro supostamente recebido pelos acusados. No caso da ex-primeira-dama, o Gaeco investiga a existência de pelo menos três imóveis e um shopping center que podem ter sido registrado em nome das filhas e de um dos genros do prefeito cassado. Os imóveis em Miami que estão sendo investigados são avaliados em mais de US$ 1,2 milhão.

Depoimentos. O Gaeco convocou na semana passada o prefeito cassado, a ex-primeira-dama e as três filhas do casal. Chamado como testemunha, Dr. Hélio - que não é acusado no processo - enviou o advogado e alegou que como marido não tem obrigação de prestar depoimentos. Ele mantém a defesa que desconhecia qualquer indício de irregularidade em seu governo. A ex-primeira-dama pediu mais prazo para sua defesa analisar o caso. Ela nega, no processo em que é acusada por formação de quadrilha, que tenha cometido qualquer irregularidade na prefeitura.

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