Procuradoria diz que mulher de Cachoeira ameaçou juiz

Para Ministério Público, Andressa Mendonça também ofereceu vantagens a magistrado que condenou seu marido

Marília Assunção / Goiânia, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2013 | 02h04

A empresária Andressa Alves de Mendonça, mulher de Carlos Augusto Cachoeira, o Carlinhos Cachoeira, foi denunciada ontem pelo Ministério Público à Justiça Federal de Goiás.

Segundo os procuradores Daniel Resende Salgado e Raphael Perissé, ela ofereceu vantagem ao juiz federal Alderico Rocha Santos para tentar libertar seu então noivo Cachoeira.

Na denúncia, Andressa foi acusada ainda de praticar violência e grave ameaça "com vontade livre e consciente" na conversa com o juiz Alderico, que a recebeu em 26 de julho, quatro meses após a operação da PF.

Nesse encontro, o juiz Alderico não chegou a determinar sua prisão em flagrante, segundo contou, por estar em dúvida, visto que não foi feita uma clara oferta em dinheiro. Ainda assim, ele comunicou o episódio à PF, para a qual o crime estava configurado. Disse que, em seu gabinete, ela insistiu em falar a sós dizendo que sabia de um dossiê a respeito dele. Exibiu um papel com vários nomes (que a PF periciou depois) - Luis Pires, Maranhense e Marcelo Miranda.

O Ministério Público fez a investigação e ofereceu a denúncia na segunda-feira passada. A decisão de abrir ação penal cabe agora à Justiça Federal.

Defesa. A atitude do juiz, de não prender Andressa Mendonça em flagrante, foi classificada pelo advogado dela, Ney Moura, como "indício de que não houve crime". Ele sustenta que a cliente não ofereceu nenhuma vantagem ao magistrado - e já avisou que essa será sua tese de defesa, caso a denúncia venha a ser acatada.

O nome de Andressa Mendonça veio a público em fevereiro de 2012, quando a Operação Monte Carlo a apresentou como laranja do grupo de Cachoeira. Ela ficou conhecida pelas seguidas visitas que lhe fez na prisão. O casamento dos dois, no fim de dezembro, foi destaque em todo o País.

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