Procuradores chegam à Itália para defender extradição de Pizzolato

Autoridades brasileiras querem ter acesso ao material apreendido na casa onde petista estava escondido

WILSON TOSTA / , ENVIADO ESPECIAL / MÓDENA , O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2014 | 02h08

Dois representantes da Procuradoria-Geral da República do Brasil chegaram anteontem à Itália para trocar informações com autoridades da polícia, Ministério Público e Judiciário locais sobre o caso do ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado no processo do mensalão e detido desde a semana passada em uma prisão italiana.

Os procuradores Eduardo Pellela, chefe de Gabinete do procurador-geral, Rodrigo Janot, e Vladimir Aras, chefe da Área de Cooperação Internacional da Procuradoria-Geral, iniciaram sua viagem por Roma, onde ficarão no fim de semana. Na segunda-feira, vão a Bolonha, onde fica a Corte de Apelação em que tramita o processo relativo à prisão de Pizzolato, e na terça estarão em Módena, onde Pizzolato está na prisão de Sant'Anna. Os procuradores querem colher elementos que poderão ser usados no pedido de extradição que o País prepara para apresentar à Itália.

Ítalo-brasileiro, Pizzolato, em setembro de 2013, passou por terra do Brasil para a Argentina e em Buenos Aires pegou um avião para a Espanha, de onde foi para território italiano.

Condenado a 12 anos e sete meses de prisão pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva, o ex-dirigente do Banco do Brasil esperava que, por também ter nacionalidade italiana, estaria seguro no país estrangeiro.

Ao ser preso, estava com documentos em nome de um irmão que morreu em 1978, o que complicou a sua situação. Agora, além dos crimes cometidos no Brasil, pelos quais foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal, terá de responder por delitos na Itália, com penas que podem somar nove anos.

Computador. Entre os interesses da Procuradoria está o material apreendido com Pizzolato ao ser preso em Maranello, a poucos quilômetros de Módena. Há equipamentos de informática, como um tablet e um computador, e informações bancárias que indicam movimentação de dezenas de milhares de euros. Com o ex-diretor também havia 15 mil euros em dinheiro. Há indícios de pelo menos três contas na Espanha.

No Brasil, especula-se que Pizzolato teria uma quarta conta, em um banco suíço, em nome de outra pessoa. Um ponto considerado fundamental é o acesso aos computadores, onde pode haver informações sobre o esquema do mensalão, segundo a Polícia Federal.

O chefe da Interpol na Itália, coronel Francesco Fallica, disse ao Estado que, assim que chegar uma carta rogatória do Brasil, o conteúdo das máquinas será examinado.

Indiciamento. Anteontem, Pizzolato foi indiciado pela Polícia de La Spezia, região onde fica Porto Revere, localidade à beira-mar na qual o ex-diretor se refugiou algum tempo no fim de 2013, pelos crimes de falso testemunho, substituição de pessoa e falsidade ideológica. Lá, ele se apresentou como Celso Pizzolato, o irmão morto.

Desde 2007, o ex-dirigente do Banco do Brasil obteve documentos verdadeiros em nome de Celso, como CPF, título eleitoral e até comprovante de votação, e os usou para conseguir dois passaportes - um brasileiro e outro italiano. Foi com o documento fornecido pela Itália, que é verdadeiro, embora com nome de outra pessoa, que Pizzolato saiu do Brasil e, depois de passar pela Espanha, foi para território italiano.

A polícia local entendeu que Pizzolato cometeu os crimes quando se apresentou, inclusive para funcionários públicos, como outra pessoa.

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