Procurador no Amapá pediu emprego a Vieira

A "central de empregos" operada em paralelo ao tráfico de pareceres técnicos pela quadrilha investigada na Operação Porto Seguro da Polícia Federal ficou conhecida por muito mais gente do que apenas a família da ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa Noronha - que empregou a filha na Agência Nacional de Aviação Civil e o marido na Infraero.

DÉBORA ÁLVARES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 02h07

O procurador da Fazenda Nacional no Amapá, Evandro Gama, também recorreu a Paulo Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas, tido pela PF como chefe da organização criminosa. Em e-mail enviado no dia 26 de agosto de 2011, ele listou cargos que desejava ocupar. Segundo Gama disse ao Estado, porém, não se tratava de "nada demais, apenas um envio de currículo". Mais três pessoas receberam o mesmo e-mail.

Gama, que já foi assessor da subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência, de 2004 a 2005, e ministro substituto da Advocacia-Geral da União, entre 2007 e 2009, disse ter conhecido Vieira em sua passagem por Brasília. "Sabia que ele tinha ligação com o PT em nível nacional, mas mandei também para outras pessoas do partido. Sou filiado ao PT." Gama negou, porém, contato com outros envolvidos na operação da PF . "Estava tentando retornar a Brasília e listei cargos conforme a minha formação e mandei para meus conhecidos, como as pessoas fazem nesses casos."

Gama elencou, no e-mail, sete cargos: superintendente do Dnit no Pará ou Amapá; superintendente regional do Incra, da Funasa ou do Ibama no AP; secretário nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades; secretário executivo da Agricultura ou do Turismo. Gama explicou ter construído a lista a partir de cargos que ficariam vagos com a "faxina ministerial" promovida pelo Planalto. E disse não ter recebido retorno de Vieira. "Até porque desisti de sair de Macapá."

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