Procurador-Geral reforça crítica de presidente do STF aos bancos

Assim como Joaquim Barbosa, Roberto Gurgel acusa instituições financeiras de 'leniência' no combate à lavagem

MARIÂNGELA GALLUCCI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2013 | 10h14

No mesmo tom empregado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse ontem que os bancos são lenientes no fornecimento de informações para investigações criminais. "Sempre que precisamos das informações bancárias (para subsidiar uma investigação criminal) existe, sim, uma certa leniência das instituições financeiras no sentido de fornecer esses dados", acusou. Na segunda-feira, o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, fez duras críticas ao sistema.

"Normalmente, o atendimento é lento, precário. Muitas vezes são necessárias três, quatro diligências complementares até que as informações cheguem como deveriam ter sido fornecidas deste o primeiro momento. Os bancos precisam aprimorar esse entendimento para que não sejam vistos eventualmente como coniventes com esse tipo crime", afirmou Gurgel.

O procurador citou o processo do mensalão. "Tivemos diversos fatos envolvendo bancos, em que a conduta daqueles bancos era algo absolutamente inaceitável e os transformava em parceiros do crime." No julgamento do mensalão foram condenados ex-dirigentes do Banco Rural. Segundo Gurgel, para melhorar a situação é necessário que o Banco Central cobre das instituições para que atendam aos pedidos de informação.

Disciplina. O promotor de Justiça Arthur Lemos Junior, especialista no combate a cartéis e a delitos econômicos, alerta para as sanções a quem não adota medidas de identificação de operações atípicas ou que resiste em abrir dados bancários. "As penas também para o descumprimento são rigorosas. Caso preciso, vamos acompanhar sua aplicação para que haja maior disciplina por parte da rede bancária."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.