Felipe Rau/ Estadão
Felipe Rau/ Estadão

'Problema do governo Temer não são os ministros, é o presidente’, diz Alckmin

Na série Estadão-Faap Sabatinas com presidenciáveis, o candidato do PSDB comentou vídeos postados por Temer em suas redes sociais

Adriana Ferraz, Ana Beatriz Assam, Matheus Lara e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2018 | 22h49

Candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin afirmou nesta quinta-feira, 6, na série Estadão-Faap Sabatinas com os Presidenciáveis que o problema do governo federal é o presidente Michel Temer, não seus ministros.

Sexto candidato a participar do evento, em São Paulo, o tucano comentou os vídeos postados por Temer em suas redes sociais para ressaltar que Alckmin está coligado com partidos que participam do atual governo e, por isso, não pode criticá-lo. “Ele está de mal comigo”, ironizou Alckmin. Na entrevista, o ex-governador paulista ainda prometeu combater o “corporativismo” e reforçou sua intenção de zerar o déficit público do País em até dois anos, caso eleito.

Temer

Alckmin disse que o problema do governo Temer é o presidente, e não seus ministros. “Não votei no Temer. Era a chapa da Dilma. Houve impeachment. Temos responsabilidade com o Brasil. O PSDB foi o que mais votou pela reforma trabalhista, do ensino médio, naquilo que acreditamos. Eu disse que não deveríamos participar do governo, dando apoio parlamentar, mas sem participar. Não é um governo nosso. O problema do governo Temer não são os ministros, é o presidente, que não tem a liderança nem a legitimidade que precisa ter. E está de mal comigo.”

Bolsonaro

De manhã, antes do ataque ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), o tucano classificou o adversário como um “passaporte” para a volta do PT ao poder. “Bolsonaro é uma candidatura limitada. Se o que ele fala é ofensivo, problema é dele. Pegamos o que ele acredita e pusemos para a população saber.” 

Armas

Alckmin se posicionou a favor da liberação de armas na zona rural, mas disse ser contra a liberação na área urbana. “Disca 190 na cidade que a polícia está na sua porta. Na zona rural, não tem nem vizinho. Lá, defendo a posse e o porte de armas. Quem tem que enfrentar criminoso não é o cidadão comum, é a polícia.”

Ação do MP-SP

O tucano criticou a ação movida pelo promotor Ricardo Manuel Castro, do Ministério Público de São Paulo, que ajuizou anteontem uma ação de improbidade administrativa contra o ex-governador por indícios de que ele teria aceitado recursos da Odebrecht, por meio de caixa 2, para financiar sua campanha à reeleição, em 2014. “É estranho, a 30 dias da eleição, entrar com uma ação que o Ministério Público Federal e o Superior Tribunal de Justiça já disseram que não há nenhuma improbidade.”

Centrão

“Nós vamos escolher os melhores quadros dos partidos que estão conosco”, disse Alckmin, em referência a PTB, PP, PR, DEM, SD, PPS, PRB e PSD. “O PPS, de esquerda, me apoia. Todo mundo queria aliança com esses partidos grandes. A gente controla a gula (por cargos). Se não fizermos reformas, o Brasil não vai mudar. E para ter reforma, tem que ter maioria.”

Aécio

Questionado sobre o senador Aécio Neves, candidato a deputado federal pelo PSDB em Minas, o candidato disse que a sociedade espera que denúncias sejam apuradas. “Se for culpado, paga pelo erro. Se não tiver nada, absolve e esclarece. Não dá para cometer injustiças. A lei vale para todo mundo. O que temos no Brasil é que todos os partidos estão fragilizados. Com a reforma, espero que possamos avançar.”

Reforma política

Alckmin disse que a grande quantidade de partidos no País dificulta a governabilidade. “Nós temos hoje no Brasil 35 partidos. Isso é fruto de pauta da reforma política, de decisão equivocada do Judiciário. Quem derrubou a cláusula de barreira foi o Supremo. Criaram um monte de partido. As principais democracias têm dois, três partidos. Veja a dificuldade de governabilidade. Nossa primeira reforma será a política. Se não mudar, os problemas vão se repetir. É ingovernável. Defendo a reforma política tramitando junto com a reforma tributária.”

Déficit público

“Não é mágica, é cortar gastos”, disse Alckmin, sobre a promessa de zerar o déficit público em dois anos. “Vamos reduzir ministérios, fundações, cargos, estatais. Faremos um enxugamento para valer. O déficit primário é 2% do PIB. O governo dá de incentivo 4% do PIB. Esses incentivos não se justificam.” 

Bancos públicos

O candidato disse que vai buscar atrair a vinda de mais bancos para o Brasil, como incentivo à concorrência. “Precisamos ter mais bancos. Não tem competição. Tem meia dúzia de bancos. Tem um decreto que proíbe, que tem que ter autorização do presidente, para o banco estrangeiro entrar no Brasil. Vou revogar isso no primeiro dia. Quero mais bancos.” 

Reforma trabalhista

Alckmin defendeu a reforma trabalhista, em vigor desde 2016, que, segundo ele, é positiva para acabar com o “corporativismo” no País. “Sou favorável. Defendo acabar com os cartórios. Temos que desregulamentar. A Alesp aprovou a lei Segunda sem Carne. O que tem que ver? Vetei a lei. Somos os maiores exportadores de carne do mundo. Vetei pelo precedente. Começa a segunda sem carne, terça sem café e sexta sem chope. É um cartório.”

Violência policial

O tucano negou que a polícia no Estado de São Paulo seja violenta. Ele atribuiu mortes causadas por PMs a enfrentamentos durante abordagens e prometeu combater o tráfico e entrada de armas no País. “A polícia não é violenta. O que temos é muito armamento pesado entrando no Brasil. Não tem combate ao tráfico. Nós temos a polícia que mais prende. Toda vez que vai prender, tem enfrentamento.”

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