Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Prisões do mensalão fizeram ‘estragos’ em SP, diz Marinho

Dirigente da campanha de Dilma no Estado admite que condenações de petistas prejudicaram candidaturas do partido

Ricardo Galhardo e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S. Paulo

27 de setembro de 2014 | 23h00

Coordenador da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País, o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, avalia que a prisão dos petistas condenados por envolvimento com o mensalão atrapalha o desempenho tanto de Dilma quanto do candidato do partido ao governo paulista, Alexandre Padilha, no Estado.

Em entrevista no comitê da campanha, na Vila Mariana, Marinho lembrou que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) explorou o tema na TV, mas disse acreditar em uma virada petista.

O desempenho abaixo do esperado de Alexandre Padilha nas pesquisas puxa Dilma Rousseff para baixo em São Paulo?

São Paulo tem uma situação onde o PSDB é mais enraizado. O próprio desempenho na capital, e é natural que assim seja, onde só agora o (Fernando) Haddad começa a mostrar resultados. O bom ano de Haddad vai ser 2015, quando ele vai começar a entregar coisas. Além disso, tem a prisão dos companheiros, um conjunto de debates na sociedade que foi muito negativo em São Paulo. É por isso que nós estamos penando na disputa.

O sr. está dizendo que a prisão dos petistas envolvidos no mensalão prejudica o desempenho eleitoral do PT em São Paulo?

Impactou muito na nossa imagem. Isso é inegável. Tivemos um conjunto de fatores que impactou muito na imagem do partido. O partido está sofrendo. Até o (Geraldo) Alckmin explorou isso agora (na TV).

O desempenho de Padilha não é o único motivo? Há outros?

O Padilha pode muito bem surpreender e dobrar sua votação. Em outros momentos aconteceu isso. Ninguém dizia que o Jaques Wagner ganharia a eleição na Bahia. Existe até um nome para isso criado por uma alemã. Espero que esteja acontecendo isso agora. Porque é inexplicável a nossa intenção de voto e acredito que o Padilha chegue ao menos em 20%.

Qual é a tese?

Uma alemã (a filósofa Elisabeth Noelle-Neumann) escreveu uma tese chamada espiral do silêncio. É quando uma ideia é tão espancada publicamente, de forma contínua, que as pessoas que têm aquela ideia não expõem, guardam para si. Foi o que aconteceu na Bahia.

O que a campanha pretende fazer para alinhar o eleitorado de Dilma ao de Alexandre Padilha?

O Padilha tem um dilema que é ainda o desconhecimento. Infelizmente é uma realidade. A baixa audiência dos programas de TV atrapalha o crescimento. O aumento da percepção do eleitorado agora na reta de chegada, quando as pessoas vão buscar o título de eleitor na gaveta e se preparar para o dia da eleição, dará ao Padilha maior exposição. Grande parte do eleitorado da Dilma ainda não acompanha o Padilha, mas a tendência é alinhar.

Padilha deveria primeiro ter consolidado o voto do eleitor petista para depois tentar ampliar o eleitorado?

É difícil saber exatamente o que aconteceu. Ele tentou fazer isso. A baixa audiência das campanhas na TV dificultou o processo de conhecimento. Essa foi uma eleição esquisita, diferente de todas outras que a gente participou.

Padilha penou com a baixa arrecadação?

No início da campanha foi, sim, um sofrimento. Mas todo mundo sofreu.

Na semana passada, em Campinas, o senhor falou que a impossibilidade de usar caixa 2 penalizou as campanhas.

As regras criadas nos governos Lula e Dilma levam ao esgotamento da possibilidade de caixa 2. Hoje seria praticamente impossível. E há um massacre por parte da mídia a quem se dispõe a financiar campanhas. Não existe democracia sem eleição e não existe eleição sem recurso. Tem uma certa hipocrisia nisso. É preciso um debate maduro, inclusive na imprensa.

O sr. concorda com as críticas feitas a Marina Silva (presidenciável do PSB) sobre a independência ao Banco Central, algo que os três governos petistas aplicaram, na prática?

Se aplicamos, por que está sendo discutido?

Então por que virou uma crítica a Marina?

Porque ela diz que vai mudar. Qual a independência? Se ele já é independente, do que estamos falando? Na verdade o que ela expressou é entregar aos bancos. Olhe o programa de governo dela e o que está escrito. Aquilo foi banqueiro que escreveu. É uma encomenda de setor. Foi muito estranha a maneira como a candidatura da Marina introduziu isso.

O sr. se refere ao fato de a proposta ter sido expressada por Neca Setubal (acionista do banco Itaú e uma das coordenadoras da campanha de Marina) em uma entrevista?

Acho que nem foi a Neca. Ela nem é tão entendida do assunto assim. 

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