Princípios do jornalismo vão prevalecer

Mesmo tendo suporte diferente do impresso, a boa informação continuará um imperativo

O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2012 | 03h01

O futuro do jornalismo, diante do uso cada vez maior de mídias digitais e até da perspectiva de desaparecimento do jornal impresso, foi o tema do debate, ontem, no Domingão da SIP - evento gratuito dirigido a jovens jornalistas, professores e estudantes. Nas palestras, diretores de alguns dos principais veículos de comunicação do País observaram que, independentemente da velocidade das mudanças nos meios de transmissão de notícias, os princípios do bom jornalismo permanecerão.

Conforme o diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, a questão será preservar nas novas linguagens os princípios do jornalismo, entre eles a atitude investigativa, a organização das notícias e o domínio narrativo. "O que está sacudindo a prática jornalística são as novíssimas possibilidades de incorporar novas linguagens para a oferta de conteúdo", disse. "Essencial é manter nesse processo a atitude, o método, a capacidade narrativa do bom jornalismo. Sem isso corro o risco de repercutir um vídeo na internet sem saber onde ocorreu, em que contexto foi feito, a quem interessa sua divulgação. Devo continuar fazendo, num caso como esse, as mesmas perguntas que deveriam ser feitas diante de uma foto em preto e branco na década de 1960."

O editor executivo da Folha de S. Paulo, Sérgio Dávila, após falar sobre as novas gerações de profissionais, que serão cada vez mais multimídia, também enfatizou a questão do espírito jornalístico: "Nada disso vai adiantar se o repórter não tiver o desejo de dar o furo, o desejo pela informação exclusiva e capacidade para tirar informações".

Para o diretor de Redação de O Globo, Ascânio Seleme, o jornal pode mudar, mas não o jornalismo. "O jornalismo de qualidade vai viver mesmo depois do jornal."

Também participaram da rodada de palestras o presidente da agência de notícias EFE, José Antonio Vera Gil; o diretor de Redação de Veja, Eurípedes Alcântara, além do diretor de Jornalismo da TV RBS, César Freitas. A mediação dos debates coube ao jornalista Roberto Gazzi, representante do Grupo Estado e coordenador do Comitê Acadêmico da SIP. / R. A.

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