Jonathas Cotrim/Estadão
Jonathas Cotrim/Estadão

Principais candidatos trocam embate direto por 'indiretas' no debate em Minas Gerais

Líderes nas pesquisas, Pimentel e Anastasia não protagonizaram polarização direta

Jonathas Cotrim, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2018 | 01h22

BELO HORIZONTE - O último debate entre os candidatos ao governo de Minas Gerais, promovido pela Rede Globo, nesta terça-feira, 2, foi marcado por "indiretas" entre os candidatos que polarizam a disputa eleitoral no Estado. O atual governador, Fernando Pimentel, que tenta a reeleição pelo PT, e Antonio Anastasia, do PSDB, não fizeram perguntas diretas entre os dois, mas isso não impediu que acusações fossem trocadas.

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Os dois candidatos lideram as pesquisas de intenção de voto, com certa distância para os demais postulantes. Em pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira, 2, horas antes do debate,  Anastasia está na primeira colocação com 33% das intenções de voto, enquanto Pimentel está na segunda posição, com 22%. O terceiro colocado é Romeu Zema, do Novo, que tem 10% das intenções de voto.

Pimentel focou suas respostas na crise financeira do Estado, dando ênfase na questão previdenciária. Sem perguntar diretamente para Anastasia, o governador criticou a gestões do PSDB, que governou Minas com Aécio Neves (2003 a 2010) e Anastasia (2010 a 2014). "Eles ficaram 12 anos no poder, deixaram um rombo, fizeram obras desnecessárias, e um problema estrutural, na previdência estadual", afirmou.

Já Anastasia respondeu questões sobre obras paralisadas e fez críticas à gestão de Pimentel, classificado pelo candidato como "pior governo da história de Minas", e também à ex-presidente Dilma Rousseff, que disputa uma vaga no Senado e foi chamada de "senadora paraquedista". "Nós fizemos muitas obras em meu governo e as obras maiores não se concluem em um mandato só. O que aconteceu é que o atual governador não deu continuidade às obras que estavam sendo feitas".

Os dois candidatos negaram que foi parte da estratégia evitar o confronto direto. "Depende dos temas das perguntas, é o momento da escolha, que tem que ser rápida e você não raciocina muito", disse Anastasia.  Já Pimentel afirmou que a falta de perguntas diretas foi por "falta de oportunidade". "O que tinha que ser dito foi dito, não necessariamente precisa ser perguntado diretamente", declarou.

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Apesar do governador de Minas Gerais, em diversos momentos, falar sobre a candidatura de Fernando Haddad, do PT, para a Presidência, o postulante do PSDB, Antonio Anastasia, não mencionou o candidato do partido, Geraldo Alckmin. "Eu não citei porque o debate é para o governo de Minas Gerais, não para presidente da República", disse o senador. Já Pimentel tratou a eleição de Haddad como fundamental para resolução da crise financeira no Estado.

O candidato do Novo, Romeu Zema, participou de seu primeiro debate nesta disputa eleitoral e protagonizou embates acirrados com o postulante do Avante, Claudiney Dulim. Após prometer acabar com "cargos desnecessários", Zema foi comparado por Dulim ao ex-presidente Fernando Collor. “O Fernando Collor acaba de chegar em Minas, o novo caçador de Marajás”, disse o postulante do Avante. 

Em outro momento, Claudiney Dulim criticou o partido Novo. "Esse projeto de Novo, só tem novo no nome. Precisamos entender melhor qual é a proposta de vocês", disse. Romeu Zema respondeu: "Acho que você estudou pouco sobre mim", e declarou que a campanha de seu partido "não recebeu nenhum centavo de dinheiro público".

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Dirlene Marques, do PSOL, defendeu propostas relacionadas à mulheres e à educação, mas também criticou Fernando Pimentel e Antonio Anastasia. Para o atual governador, a candidata disse em "quatro anos de governo você poderia ter redirecionado as formas de investimento", e para Anastasia, Dirlene afirmou que o senador foi um dos responsáveis pela aprovação da "PEC do Teto dos Gastos", que colocou um limite nos gastos públicos nos próximos vinte anos.  

O candidato do MDB, Adalclever Lopes, defendeu propostas relacionadas à inclusão de pessoas com deficiência e a criação do "Programa Mais Médicos Minas". Além disso, o postulante, mais uma vez, evitou falar sobre o processo de impeachment contra o governador Fernando Pimentel. 

O debate foi dividido em quatros blocos, todos com perguntas feitas entre os candidatos. O primeiro e o terceiro foram com perguntas de temas livres. No segundo e quarto, as questões eram de temas determinados por sorteio. No último bloco, os postulantes tiveram dois minutos para considerações finais. 

Bolsonaro. Nas considerações finais, o candidato do Novo pediu votos para o postulante à presidência do partido, João Amoêdo, mas também para Jair Bolsonaro, do PSL. "Aqueles que quiserem mudança, votem em candidatos diferentes, como o Amoedo e o Bolsonaro", disse. 

"Os eleitores do Bolsonaro têm uma proximidade muito grande com as nossas propostas. Como ele não tem candidato ao governo em Minas, os eleitores têm se ligado muito à minha candidatura", afirmou Zema.

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