Prima de Campos critica PSB e declara apoio a Dilma

Marília Arraes afirmou que Campos 'não é estadista' e que não acredita que ele seja a melhor opção para o País

ANGELA LACERDA, correspondente em Recife, Agência Estado

18 de julho de 2014 | 16h00

Recife - Vereadora do Recife pelo PSB em segundo mandato, Marília Arraes, 30 anos, prima do presidenciável e ex-governador Eduardo Campos, declarou seu apoio à reeleição da presidente Dilma (PT) e à eleição de Armando Monteiro Neto (PTB) ao governo de Pernambuco, nesta sexta-feira, 18, em entrevista coletiva. O candidato ao governo estadual pelo PSB é o afilhado político de Campos, seu ex-secretário de Fazenda, Paulo Câmara.

"A política do PSB hoje é de candidatos biônicos, tem que ser escolhido", afirmou ela, ao criticar o estilo de Campos, que considerou centralizador. "Não há ambiente de discussão interna no partido, mas de obediência". Na sua avaliação, a forma como Campos conduz a política no Estado "não é de um estadista" e, embora reconheça o preparo do primo para disputar o cargo presidencial, ponderou: "não acredito que seja a melhor opção para o País no momento".

Sem esconder a mágoa pela falta de apoio à sua candidatura à Câmara dos deputados, da qual desistiu em junho, a vereadora disse ter tentado falar com Campos, desde o ano passado, diversas vezes e por diversas formas - buscando agenda junto à sua então chefia de gabinete, por telefone ou mensagem - mas não foi atendida. E quando falava com prefeitos correligionários da sua disposição de se candidatar, contou da indagação comum a vários deles: "Mas você pediu a Eduardo?"

"Não considero esta prática uma nova política, considero muito mais antiga do que a praticada por Miguel Arraes, que já sofria crítica por ser centralizador", disse ela na entrevista, prestigiada pelo senador Humberto Costa (PT), coordenador da campanha à reeleição da presidente Dilma em Pernambuco e de várias lideranças petistas no Estado.

Neta do ex-governador Miguel Arraes (1916-2005) - é filha de Marcos, irmão de Ana, mãe de Campos - Marília já havia apontado incoerências na política do primo quando desistiu da candidatura, em junho, e as reforçou na entrevista desta sexta. Observou que Campos defende, em nível nacional, a necessidade de um líder para o Brasil e não de um gerente (referindo-se à presidente Dilma), mas em Pernambuco escolheu um secretário estadual sem experiência política para ser seu candidato. Também disse não aceitar as alianças do PSB no Estado, com "partidos de direita", a exemplo do DEM, PMDB e PSDB. "Não é só a adesão de um outro partido", observou. Para ela, as alianças passam "do limite da incoerência".

Ela não pretende deixar o PSB, onde milita há mais de 10 anos e fez questão de separar a questão política da familiar. "Quero deixar claro que nossa relação na política é completamente separada da familiar, que é muito boa, a gente sempre se deu bem e a família é unida". Exemplificou que apesar de não ter conseguido uma agenda ou conversa com Campos, ele foi ao seu casamento, neste ano.

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