JOKA MADRUGA/FUTURA PRESS
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Previdência do funcionalismo tem pouco destaque nos planos de candidatos ao governo do Paraná

Discussão provocou confronto entre servidores e a PM em 2015; quatro dos postulantes ao Executivo Estadual nas eleições 2018 não incluíram propostas sobre o tema entre suas diretrizes

Katna Baran, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2018 | 05h00

CURITIBA - Um dos principais problemas enfrentados pelo ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB), que deixou o comando do Palácio Iguaçu am abril para disputar o Senado nas eleições 2018 , a política de custeio do regime previdenciário de servidores estaduais foi pouco abordado nos planos de governo dos postulantes ao Executivo Estadual. O tema fez parte do pacote de ajustes fiscais do tucano e um protesto dos funcionários públicos, em 29 de abril de 2015, resultou em um confronto entre os manifestantes e a Polícia Militar, que deixou mais de 200 feridos.

Sucessora de Richa, a atual governadora e candidata à reeleição, Cida Borghetti (PP), não menciona mudanças nas regras previdenciárias para o funcionalismo nem cita políticas que pretende adotar para o subsídio dos servidores do Estado, congelado desde 2015 – outro ponto controverso do ajuste fiscal do tucano. Em seu planejamento de gestão, Cida observa que “não adianta nada arrecadar mais sem uma gestão fiscal responsável, que adote as medidas necessárias à manutenção do equilíbrio das contas públicas e a capacidade de investimento do Estado”.

O candidato do PSD, Ratinho Júnior, dedica um capítulo de seu plano de governo ao servidor público, mas não explica qual será a política que adotará ao funcionalismo, apenas promete “promover a valorização profissional do servidor”. E não há menções ao plano estadual de previdência nem à política de subsídios dos funcionários públicos.

O emedebista João Arruda, por sua vez, apresenta como diretriz a recuperação das reservas do governo para garantir a aposentadoria de servidores, sem, no entanto, explicar como cobriria a realocação do fundo. O candidato fala em retomar o plano de cargos e salários dos professores da rede estadual.

Dr. Rosinha, candidato ao Palácio Iguaçu pelo PT, explora um pouco mais o assunto em seu plano de governo, afirmando que visa a recuperação das perdas salariais dos servidores dos últimos anos e a recomposição dos fundos mantenedores da previdência estadual.

Jorge Bernardi (Rede) pretende “revisar os planos e carreiras do serviço público estadual, objetivando estimular e motivar o funcionalismo, e corrigir as distorções e perdas salariais”.

Os outros quatro planos de governo cadastrados na Justiça Eleitoral não mencionam propostas sobre o plano de subsídio e de previdência dos servidores estaduais.

Analisando a baixa adesão dos planos de governo dos candidatos ao Palácio Iguaçu à política que envolve servidores do Estado, o professor de gestão urbana da PUCPR Denis Alcides Rezende afirmou que, neste momento, os postulantes ao cargo evitam “criar conflitos” em suas diretrizes. “Além disso, o plano de governo apresenta um discurso muito mais político do que estratégico. Não temos a cultura de fazer um plano estratégico”, observou.

Para o analista, essa falta de planejamento de governo – e para além dos quatro anos, enquanto política de Estado – prejudica o planejamento a longo prazo, o que, segundo Rezende, já poderia ter evitado conflitos. “Os (atuais) planos de governo são superficiais, não abrangentes e não factíveis”, resumiu.

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