Prévias esquentam e governador pede unidade no PSDB

Em reunião com integrantes da direção do partido, Alckmin disse que tucanos precisam manter união no processo de disputa interna

JULIA DUAILIBI, JAIR STANGLER, ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2011 | 03h02

A menos de três meses das prévias que o PSDB diz que fará para escolher quem vai disputar a Prefeitura de São Paulo em 2012, as campanhas dos pré-candidatos e de seus cabos eleitorais já preocupam a cúpula do partido. Em reunião com integrantes da direção estadual da legenda na segunda-feira, o governador Geraldo Alckmin pediu unidade.

Há preocupação hoje com o clima entre as campanhas dos secretários Andrea Matarazzo (Cultura) e Bruno Covas (Meio Ambiente). O fogo amigo aumentou nesta semana com a criação de um perfil falso no Twitter, chamado @GeraldoOpusDei, com uma foto de Matarazzo.

Aliados do secretário de Cultura, que pediram a retirada do perfil do ar, viram digitais de tucanos da Juventude do PSDB próximos a Bruno. O secretário do Meio Ambiente diz "condenar veementemente" a ação, "que não condiz com o processo democrático que o partido vive".

"Obviamente Alckmin é um membro do Opus Dei e não tem ideia de como conduzir uma campanha nacional", dizia o perfil na internet, divulgado ontem pela Folha de S. Paulo. A página publicava declarações a respeito do governador que teriam sido feitas a um diplomata americano por Matarazzo. O teor da suposta conversa, que teria ocorrido na campanha de 2006, foi divulgado neste ano pelo WikiLeaks.

O clima entre tucanos começou a azedar no mês passado, após o primeiro debate do PSDB. Bruno criticou o que chamou de políticas "higienistas" da Prefeitura. Matarazzo foi subprefeito da Sé e secretário de Coordenação das Subprefeituras entre 2005 e 2009, quando foi alvo de críticas semelhantes.

Outra movimentação que tem causado celeuma na campanha interna é a ação da família Covas pedindo a tradicionais militantes do partido votos para Bruno, neto do governador Mario Covas. O secretário de Energia, José Aníbal, por exemplo, é considerado herdeiro de parte da militância "covista" que agora migraria para a campanha do secretário do Meio Ambiente.

União. Alckmin promoveu uma pizza no Palácio dos Bandeirantes na segunda-feira, quando disse que as prévias, em 4 de março, ajudarão a revigorar o partido, mas que o PSDB tem de trabalhar para manter a unidade quando o processo terminar. O temor de que a disputa cause fissuras irreversíveis entre os pré-candidatos sempre rondou a direção do partido, que mesmo assim resolveu bancar as prévias. O governador já manifestou a interlocutores preocupação com o discurso dos pré-candidatos e chegou a pedir aos tucanos que reduzissem as críticas ao prefeito Gilberto Kassab, com quem setores do PSDB querem firmar aliança.

No encontro com integrantes da executiva estadual do PSDB, a gestão do prefeito foi criticada. Os tucanos disseram a Alckmin que a associação da administração de Kassab ao PSDB estaria por trás do aumento da rejeição do ex-governador José Serra nas pesquisas de intenção de voto.

Também avaliaram que na campanha o discurso da sigla deve ser crítico à atual gestão. Segundo os presentes, Alckmin disse que o prefeito terá tempo para melhorar sua avaliação, mas que a tendência na campanha é a de polarização entre PT e PSDB.

Prévias. Pré-candidato tucano, o deputado Ricardo Tripoli afirmou em entrevista à TV Estadão, na segunda-feira, que, se Serra quiser ser o indicado do partido em 2012, terá de disputar as eleições internas do partido.

De acordo com o deputado, que foi o primeiro a colocar seu nome para a disputa, a realização de prévias foi combinada com as principais lideranças do partido. "Não tenho porque desacreditar da palavra de Serra. Primeiro, porque o consultei antes de me lançar pré-candidato. Tanto ele como o governador Geraldo Alckmin e o ex-presidente Fernando Henrique. Ele foi um dos que mais me estimularam", disse o pré-candidato.

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