Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Pressão do Planalto faz Centrão procurar Alckmin

Governo ameaçou tirar cargos de quem se unisse a Ciro, principalmente do PP

Vera Rosa, Felipe Frazão, Renata Agostini e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2018 | 23h29

Na contramão da decisão fechada pelo Centrão, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e os presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e do Solidariedade, deputado Paulo Pereira da Silva (SP), queriam chancelar um acordo em torno do pré-candidato do PDT, Ciro Gomes. Eles alegavam que o tucano Geraldo Alckmin não decolaria nas pesquisas de intenção de voto e que nem mesmo chegaria ao segundo turno das eleições 2018.

Estado apurou, porém, que o Palácio do Planalto fez forte pressão para que o Centrão não se unisse a Ciro. O pedetista chamou o presidente Michel Temer de “quadrilheiro” e “ladrão” e disse que ele seria preso.

O governo ameaçou tirar cargos de quem se unisse a Ciro, principalmente do PP, que comanda os Ministérios da Saúde, Cidades e Agricultura – com orçamentos que, juntos, somam R$ 153,5 bilhões –, além de ter o comando da Caixa.

Com 1% das intenções de voto, Henrique Meirelles (MDB) também conversou nos últimos dias com integrantes do Centrão, mas não obteve sucesso em sua ofensiva. O ex-ministro chegou a se reunir ontem com Maia. Antes, ofereceu a vice em sua chapa a Flávio Rocha (PRB), que desistiu de se candidatar ao Planalto.

A decisão do Centrão foi comemorada entre os tucanos. A estratégia de Alckmin sempre passou por atrair o maior número de partidos para sua aliança e, assim, garantir tempo extra na propaganda eleitoral na TV e no rádio.

Na reunião desta quinta-feira com dirigentes do bloco, Alckmin – que preside o PSDB – se comprometeu a fazer consultas nos Estados para que o partido diminua o número de candidatos aos governos e apoie concorrentes do bloco. Hoje, a sigla tem entre 13 e 15 nomes próprios. No Rio, por exemplo, o PSDB deve agora fazer aliança com o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM).

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